Como dissemos em nosso comentário de abertura de hoje, dois impasses colocaram investidores em alerta, e os mercados tiveram mais um dia de grande volatilidade e mudanças de sinais. De um lado o novo pacote fiscal americano que não ata e nem desata, e de outro, a pouca objetividade do governo em lidar com o Programa Renda Cidadã, no que tange em arranjar fontes recursos para implementar o programa que deveria suceder o programa Bolsa Família e outros.

Esses dois imbróglios governamentais duraram todo o dia e mexeram com os mercados acionários e o câmbio, tanto aqui, como também no exterior. No exterior, o governo americano propõe pacote fiscal de US$ 1,6 trilhão e Nancy Pelosi e Democratas acham pouco e chegariam a US$ 2,2 trilhões. A proposta democrata original era de US$ 3,4 trilhões.

No correr do dia, foi ficando claro que ainda estão longe de consenso.
Já aqui, as fontes de recursos elencadas pelo governo começaram a fazer água. O Fundeb por ser necessário (e foi ampliado) e estar fora do teto de gastos, e os precatórios (detonado hoje pelo próprio ministro Paulo Guedes), por conta de estarem comprometidos.

Como coadjuvante interno, ainda tivemos as tensões do julgamento de venda de ativos da Petrobras pelo STF e a percepção de que o Brasil poderia ser rebaixado na classificação de risco pelas agências de ratings, caso o projeto com essas fontes tivessem continuidade. Na visão de muitos economistas estaria reinaugurada a famosa pedalada fiscal.

Nos EUA, em termos de indicadores, o dia foi positivo. Os pedidos de auxílio-desemprego encolheram na semana anterior em 36 mil posições para 837 mil pedidos (previsão era 850 mil), gastos com consumo em alta de 1% e renda pessoal encolhendo 2,7% em agosto e deflator de preço do consumo com alta anual de 1,4%, variação igual para o núcleo. O PMI industrial de setembro subiu para 53,2 pontos (previsão era 53,5 pontos), o ISM industrial em queda para 55,4 pontos e investimentos em construção com +1,4%, de previsão de 0,6%.

No mercado internacional, próximo do final do pregão o petróleo WTI negociado em NY mostrava queda de 4,50%, com o barril cotado a US$ 38,41, depois de ter chegado a cair mais de 6%. O euro era transacionado em leve alta para US$ 1,174 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 0,67%. O ouro e a prata com altas na Comex e commodities agrícolas com leve viés positivo. O minério de ferro não foi negociado por conta do feriado chinês.

Aqui, tivemos a divulgação do IPC-S de setembro com alta de 0,82% (anterior em 0,53%) e o estoque de débitos de Estados e Municípios somam R$ 107 bilhões e preocupa os prazos. A Receita Federal divulgou a arrecadação de agosto em R$ 124,5 bilhões, com crescimento real de 1,3%, e acumulando no ano R$ 906,4 bilhões, o menor valor desde 2010. Contra igual período de 2019 uma queda de 13,2%. As desonerações dos oitos meses de 2020 atingiram R$ 77,2 bilhões. O saldo da balança comercial de setembro foi em superávit de US$ 6,16 bilhões acumulando no ano superávit de US$ 42,44 bilhões.

Em fórum bilateral EUA-Brasil, os EUA defenderam e reforçaram apoio para entrada do Brasil na OCD. Já o ministro Fachin, do STF e relator da venda de ativos da Petrobras, manteve seu voto contrário às vendas programadas. Até terminarmos, o placar estava em 5X3, favorável à venda.

No mercado, dia de dólar novamente oscilando bastante para fechar com +0,73% e cotado a R$ 5,656. Na Bovespa, na sessão de 29/9, os investidores estrangeiros voltaram a alocar recursos no valor de R$ 88,4 milhões, mas faltando apenas um dia para encerramento do mês o saldo seguia negativo em R$ 2,9 bilhões e o ano de 2020 com saídas líquidas de R$ 88,2 bilhões.

No mercado acionário, dia de alta da Bolsa de Londres de 0,23%, Paris com +0,43% e Frankfurt com queda de 0,23%. Madri e Milão com altas de respectivamente 0,21% e 0,24%. No mercado americano, o Dow Jones com +0,13% e Nasdaq com +1,42 %. Na Bovespa, dia de recuperação, depois de boa queda, para fechar com alta de 0,93% e índice em 95.478 pontos. Na mínima do dia, o índice chegou a atingir os 93.599 pontos.

Na agenda de amanhã teremos o IPC da Fipe de setembro e a produção industrial de agosto. Nos EUA, o Payroll de setembro com a criação de vagas na economia, a taxa de desemprego e itens correlatos; além da confiança do consumidor de Michigan de setembro, as encomendas à indústria e de bens duráveis de agosto e discursos.

Boa noite.

Alvaro Bandeira
Economista-chefe do banco digital modalmais