No mercado local foram esses os dois vetores os responsáveis pelo comportamento dos investidores ao longo da sessão, devolvendo um pouco da queda e do pessimismo de ontem, causado pela divulgação do PLOA de 2021. Bovespa forte por aqui e dólar fraco, junto com os juros, ajudados também pelo comportamento do mercado americano.

No cenário externo, com a deflação surpresa na zona do euro de -0,2%, muito provavelmente o BCE será pressionado para fazer novas rodadas de flexibilização monetária. Nos EUA, o indicador de atividade industrial ISM de agosto subiu para 56 pontos, vindo de 54,2 pontos, enquanto o PMI industrial também de agosto mostrou alta para 53,1 pontos, na maior expansão desde janeiro de 2019.

A diretora do FED, Brainard, discursou dizendo que as condições da economia americana são favoráveis, mas também citou a enorme incerteza que ronda o futuro. O secretário do Tesouro dos EUA, Steve Mnuchin, segue acreditando ser possível trabalhar num pacote fiscal bipartidário no Congresso e espera que isso possa ocorrer já na próxima semana. Com essas declarações, o dólar voltou a subir no mercado internacional.

No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em NY mostrava alta de 0,68%, com o barril cotado a US$ 42,90. O euro era transacionado em queda para US$ 1,192, depois de ter começado o dia em alta, enquanto o notes americano de 10 anos tinha taxa de juros de 0,68%. O ouro e a prata beirando a estabilidade na Comex e commodities agrícolas com comportamento misto na Bolsa de Chicago. O minério de ferro negociado na China fechou durante a madrugada em leve alta de 0,15%, com a tonelada em US$ 124,66.

No segmento doméstico, tivemos a divulgação do PIB do segundo trimestre com contração de 9,7%, pouco maior que a mediana das previsões. Contra igual trimestre de 2019 mostrou queda de 11,4%. Destaque negativo para o segmento industrial com queda de 12,3% e positivo para o agropecuário com +0,4%. A indústria extrativa contribuiu também com expansão de 6,8%, basicamente pela maior produção de petróleo e recuperação do minério de ferro depois de Brumadinho.

Parece claro que isso não significa muito em função da pandemia, mas é bom atentar para a contração da formação bruta de capital fixo com -15,4% e a fraca taxa de investimento em relação ao PIB de 15%, que teoricamente preparam o futuro dos próximos trimestres. Citamos ainda o consumo das famílias em queda de 12,5% e de governo com -8,8%. Tudo perfeitamente explicado pela pandemia, mas alguns agentes voltaram a ampliar a previsão de queda do PIB em 2020, muito embora o segundo semestre se apresente melhor e Paulo Guedes insistindo em recuperação em “V”.

Mas os investidores deram mais ênfase ao encontro de Bolsonaro e Paulo Guedes com as lideranças dos partidos, fechando auxílio emergencial de R$ 300 até dezembro e cacifando a perseguição de reformas, inclusive dizendo encaminhar a administrativa na próxima quinta-feira. Guedes acrescentou que a discussão de rever teto de gastos não pode acorrer com a dívida chegando perto de 100% do PIB.

No mercado, dia de dólar fraco como previsto com a moeda em queda de 2% e cotado a R$ 5,38. Na Bovespa, na sessão de 28/8, os investidores estrangeiros alocaram recursos no montante de R$ 373,5 milhões, deixando o saldo positivo de agosto em R$ 1,45 bilhão, mas com saídas líquidas em 2020 de R$ 83,46 bilhões.

No mercado acionário, dia de queda da Bolsa de Londres de 1,70-%, na volta de feriado, Paris com -0,18% e Frankfurt com +0,22%. Madri e Milão com quedas de respectivamente 0,18% e 0,20%. No mercado americano, o Dow Jones com +0,76% e Nasdaq com +1,38.%. Na Bovespa, dia de recuperação de 2,82% e índice em 102.167 pontos, no meio do intervalo de oscilação dos últimos dois meses.

Na agenda de amanhã teremos o IPC da Fipe de agosto, o IPP (Preço do Produtor) de julho e fluxo cambial da semana anterior. Nos EUA, a nova pesquisa ADP sobre criação de vagas no setor privado que antecede ao Payroll de sexta-feira, as encomendas à indústria de julho, dados do Livro Bege e PMI de serviços; além de discursos de dirigentes do FED.

Boa noite.

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais