Hoje foi dia dos mercados da Ásia encerrarem majoritariamente em alta, Bolsa da Europa com razoável valorização, mercados americanos com comportamento misto e, aqui, mercados novamente estressados. Na nossa interpretação, além dos já conhecidos desequilíbrios na política fiscal e da inflação não tão transitória, a tensão política está fazendo mais preço para os ativos, e nem resultados bastante positivos do segundo trimestre estão ajudando muito.

No exterior, crescem as preocupações com a retirada de estímulos, com vários dirigentes regionais do FED indo nessa direção. Hoje, o vice-presidente do FED, Clarida, disse que as condições para juros em alta podem ser atingidas até o fim de 2022 e, se as projeções se concretizarem, ele deve apoiar o “tapering” neste ano. Clarida também diz querer máximo emprego no fim de 2022 e taxa de desemprego em 3,8%. De certa forma, Kaplan, do FED de Dallas, vai na mesma direção, defendendo a gradual redução de compras de títulos, coro já feito por outros presidentes regionais.

Enquanto isso, a secretária do Tesouro, Janet Yellen, destaca a política fiscal expansionista para fortalecer a economia e segue fazendo carga para aprovação do pacote de infraestrutura. Nos EUA, tivemos a divulgação da nova pesquisa ADP de criação de vagas no setor privado em julho, com +330.000 posições, considerada fraca e tida como uma prévia do payroll que sai na sexta-feira. Tivemos também o ISM da atividade de serviços de julho em alta para 64,1 pontos de previsão de ficar em 60,5 pontos. Os estoques de petróleo na semana anterior cresceram em 3,62 milhões de barris e serviram para derrubar ainda mais o preço do óleo no mercado internacional.

No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em NY, mostrava queda de 3,16%, com o barril cotado a US$ 68,33. O euro era transacionado em queda para US$ 1,184, e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,18%. O ouro praticamente estável e a prata com queda leve na Comex, e commodities agrícolas com comportamento misto. Durante a madrugada, em Qingdao, na China, o minério de ferro registrou queda de 0,53%, com a tonelada em US$ 183,69. Aliás, a China voltou a cercear o contato social em locais determinados por conta do aumento das infecções por covid-19. Falando nisso, no Japão e na Flórida, as internações hospitalares se aproximam do pico registrado na primeira onda.

No segmento doméstico, Bolsonaro voltou a dizer que o TSE quer eleger Lula dentro da sala escura e usou a política assistencialista para dizer que o Bolsa Família turbinado pode ser de R$ 300 e chegar até R$ 400. Também reafirmou que a Petrobras pode subsidiar o programa Vale-Gás com R$ 3 bilhões, mesmo com a empresa não confirmando. Fontes do governo também disseram ser difícil Bolsa Família de R$ 400 (hoje em media R$ 190).

Arthur Lira quer votar o projeto de reforma do Imposto de Renda na próxima semana, mas a CNI já identificou que isso deve elevar a carga das empresas de 34% para 41,2%. Além disso, o Consefaz pede a rejeição integral do projeto.

O Bacen anunciou que o fluxo cambial de julho foi positivo em US$ 831 milhões (no mês anterior, havia sido de US$ 4,45 bilhões) e, pelo canal financeiro, saíram recursos no montante de US$ 1,9 bilhão. Porém, no ano, as entradas somam US$ 16,2 bilhões (pelo canal financeiro, somente US$ 90 milhões). Os bancos encerraram o mês vendidos em US$ 13,5 bilhões e a posição cambial líquida estacionada em US$ 274,3 bilhões. As perdas com operações de swap cambial em junho foram de R$ 8,9 bilhões. O IC-Br das commodities teve alta em julho de 5,17%.

No mercado, dia de dólar novamente oscilando muito e na direção de R$ 5,30, mas terminou com -0,30% e cotado a R$ 5,18. Na Bovespa, na sessão de 02/08, os investidores estrangeiros voltaram a alocar recursos no valor de R$ 693,4 milhões, deixando o saldo do ano positivo em R$ 40,4 bilhões.

No mercado acionário, dia de alta de 0,26% na Bolsa de Londres, Paris com +0,33% e Frankfurt com +0,88%. Madri e Milão com altas de 0,23% e 0,53%, respectivamente. No mercado americano, dia de Dow Jones com -0,92% e Nasdaq com +0,13%. Na Bovespa, dia de nova queda de 1,44% e índice em 121.803 pontos

Na agenda curta de amanhã, teremos o indicador antecedente de emprego pela FGV de julho, a reunião do BOE (BC inglês) de política monetária e, nos EUA, o saldo da balança comercial de junho, pedidos de auxílio desemprego da semana anterior e discurso de dirigente do FED. Mercados vão assimilar também o resultado de Petrobras e a decisão do Copom.

Boa noite!

Alvaro Bandeira
Economista-chefe do banco digital modalmais