Ontem as ações preferenciais da Petrobras terminaram o dia com queda de 21,5%, bem perto da mínima, e provocaram queda no Ibovespa de 4,87%, com o índice em 112.667 pontos. Em apenas dois pregões, a empresa perdeu R$ 100 bilhões em valor de mercado, e isso tem consequências sobre o custo de capital para a companhia.

Hoje será o dia “D” de decisão do Conselho de Administração sobre a indicação feita por Bolsonaro do general Joaquim Luna para a presidência da companhia. Vamos ter que esperar para avaliar as consequências e os desdobramentos disso, e se os projetos da empresa serão mantidos intactos. Aparentemente, existe uma blindagem sobre a fixação dos preços dos combustíveis, e a situação segue crítica com petróleo em alta e real desvalorizado. Mas hoje, os ADRs da Petrobras no pré-mercado americano tinham alta de 3% e o ETF (EWZ )estava estável. Menos mal.

A nevasca no Texas segue puxando os preços do barril de petróleo no mercado internacional, mas a preocupação maior dos investidores é com a escalada de alta dos treasuries americanos, não compactuada por dirigentes do FED, pelo menos neste momento. Também hoje as atenções estarão voltadas para discurso do presidente do FED, Jerome Powell, no Congresso americano.

O dia hoje foi de comportamento misto para as principais Bolsas asiáticas, Europa operando com quedas e até acelerando perdas nesse início de manhã e futuros do mercado americano com comportamento negativo. Aqui, seria bom que conseguíssemos retornar ao patamar de 115 mil pontos do Ibovespa, com mercado um pouco mais calmo depois do vencimento de opções de ontem com volume de exercício de R$ 16,9 bilhões.

Na zona do euro, a inflação medida pelo CPI de janeiro registro alta no comparativo anual de 0,9% e, nos EUA, há otimismo com a aprovação breve do pacote fiscal de estímulo para apoiar a economia. Há também expectativas sobre o acordo nuclear com o Irã, com os EUA com participação decisiva.

No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em NY mostrava nova alta de 0,84%, com o barril cotado a US$ 62,22. O euro era transacionado em leve queda para US$ 1,215 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,37%. O ouro e a prata mostravam quedas na Comex e commodities agrícolas operando com viés de alta na Bolsa de Chicago.

No segmento local, a Fitch afirmou que a troca de presidente na Petrobras não interfere na classificação de risco da companhia. Já o ministro Tarcísio, da Infraestrutura, se mostrou otimista com as concessões previstas para este ano que podem gerar investimentos contratados de R$ 136 bilhões, e atingir R$ 250 bilhões até o final de 2022. Já o juiz federal deu 72 horas para que Bolsonaro explique a troca de comando na Petrobras.

A agenda do dia é fraca e vamos ficar mesmo na dependência das declarações de Jerome Powell e do noticiário internacional e principalmente local. A expectativa é que a Bovespa possa recuperar parte das perdas, mas a situação externa inibe um pouco. Dólar e juros vão seguir pressionados.

Bom dia e bons negócios!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais