Os investidores ainda mantêm a postura compradora nos mercados de risco no mundo e, aqui, não está sendo diferente. Depois de os estrangeiros terem sacado quase R$ 90 bilhões ao longo de 2020 na B3, no mês de novembro aportaram R$ 33,3 bilhões e seguiram alocando no primeiro pregão de dezembro. Os agentes motivadores continuam sendo a proximidade de aplicação de vacinas contra a covid-19 que irá liberar atividade progressivamente mais normal, e de outro, a necessidade de uso de novos instrumentos de política monetária e também fiscais.

Nos EUA, desde ontem, temos visto grande movimentação de Democratas e Republicanos tentando costurar um acordo de pacote fiscal ao redor de US$ 1,3 trilhão, enquanto bancos centrais como o FED, BCE (europeu) e outros prolongam créditos e abrem novas compras de títulos para fazer face à segunda onda do vírus.

Tudo isso gera maior liquidez e a motivação ao risco cresce, beneficiando os mercados acionários. Tanto isso é verdade que os principais índices do mercado americano, o Nikkei e até o Ibovespa estão conseguindo manter altas, mesmo com a rotação de ativos e realizações de lucros de curto prazo, que logo retornam na posição compradora.

Tudo isso torna menos relevante situações como bloquear empresas chinesas no mercado americano, os problemas do Brexit ainda sem solução, a dissidência da Polônia e Hungria com relação a aprovar o orçamento da União Europeia para a covid-19, ou ainda a forte desaceleração prevista para a zona do euro. Isso sem falar em todas as demais encrencas entre os EUA e a China que trazem arrasto para outros países, incluindo o Brasil na tecnologia 5G.

Hoje já temos uma postura oficial da OPEP+ sobre manutenção de cortes de produção de petróleo para o grupo. Segundo nota, a partir de janeiro começará a voltar ao mercado, 500 mil barris/dia liberados progressivamente. Nos EUA, tivemos a divulgação dos pedidos de auxílio-desemprego na semana anterior com queda de 75 mil posições, para 712 mil pedidos, quando o previsto eram 780 mil pedidos. Pedidos continuados da semana anterior encolheram 596 mil, para 5,52 milhões.

Ainda lá, o PMI de serviços de novembro subiu para 58,4 pontos, no maior patamar desde março de 2015. O primeiro-ministro da Irlanda declarou que as negociações dos acordos pós-Brexit estão já na parte final e ainda existe a expectativa de que possa ser anunciado daqui a até o final da semana. No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em NY mostrava alta de 1,10%, com o barril cotado a US$ 45,78, recuperando depois da circulação de notícias da OPEP. O euro era transacionado em alta para US$ 1,214 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 0,92%. O ouro e a prata em dia de altas na Comex e commodities agrícolas com altas na Bolsa de Chicago. O minério de ferro também em nova alta de 0,58% na China, com a tonelada em IUS$ 137,08.

No cenário doméstico, o IBGE anunciou o PIB do terceiro trimestre com expansão de 7,7%, menor do que a mediana das projeções e perto do piso, e contra igual período de 2019, com -3,9%. Dessa feita, o PIB industrial salvou com alta de 14,03%, enquanto o agropecuário que vinha sendo destaque positivo encolheu 0,5%. O PIB de serviços, apesar da alta de 6,3%, no comparativo com igual período de 2019 mostra contração de 4,8%. A formação bruta de capital fixo (FBCF), que prepara os próximos trimestres, expandiu 11%, mas tem contração de 7,8% no comparativo. A taxa de investimento ficou em 16,2% e a de poupança subiu para 17,3%. O consumo das famílias também deixa a desejar, com expansão de 7,6% e queda de 6% no comparativo. Os números não garantem a continuidade de expansão forte, e devem desacelerar nos próximos trimestres, principalmente se o auxílio emergencial for interrompido.

Aqui, o PMI composto de novembro encolheu para 53,8 pontos, de anterior em 55,9 pontos. No mercado, dia de dólar mais uma vez em queda de 1,33% e fechando cotado a R$ 5,16. Na B3, na sessão de 1/12, os investidores estrangeiros voltaram a alocar recursos no montante de R$ 919,7 milhões, deixando o saldo líquido do ano ainda negativo em R$ 50,6 bilhões.

No mercado acionário, dia de alta da Bolsa de Londres de 0,42%, Paris com -0,15% e Frankfurt com -0,45%. Madri com perda de 0,24% e Milão em alta de 0,16%. No mercado americano, dia de Dow Jones com +0,29% e Nasdaq com +0,23%. Na Bovespa, alta de 0,37% e índice em 112.291 pontos. Na máxima atingiu 113.377 pontos, com Petrobras garantindo a alta, com valorização de 2,82%.

Na agenda de amanhã a Anfavea divulgará a produção de veículos em novembro e nos EUA teremos o Payroll de novembro e indicadores correlatos, o saldo da balança comercial e as encomendas à indústria de outubro.

Boa noite.

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais