Se é assim, que venha logo o Sete de Setembro para definir algumas posturas. O Brasil não aguenta essa dúvida, além de não ter tempo para perder e ficar ainda mais para trás, isolado da comunidade internacional.

A situação ideal seria que os três poderes conseguissem ficar em harmonia e a pacificação se fizesse presente. Mas, aparentemente, essa vertente não existe para o momento. O Executivo não consegue governar em paz (muito por culpa própria), o Legislativo está paralisado nas votações que realmente interessam da agenda Brasil e o Judiciário anda assoberbado de demandas, algumas absolutamente inúteis para o futuro do nosso país.

As incertezas vão se avolumando, os investidores buscam proteção e os investimentos que interessariam para o crescimento travam e/ou buscam outras plagas menos arriscadas. Para ficar na figura de linguagem que o presidente tanto gosta, se o mundo desenvolvido pegar um resfriado que seja (e não precisa ser a variante Delta da covid-19), o Brasil terá pneumonia dupla.

No mundo, em função da pandemia que resiste em permanecer, as projeções de crescimento começam a mudar para pior em 2022. Aqui, a projeção do PIB pela nova pesquisa semanal Focus, divulgada em 30/08 (segunda-feira), dá conta de crescimento da ordem de 2% (+5,22% em 2021), mas já existem previsões do país crescer algo como 1,5%, sendo que 2/3 disso são referentes ao carregamento do ano de 2021. Enquanto isso, as projeções de inflação não param de aumentar.

A pesquisa Focus mostrou estimativa de alta de 7,27% para a inflação em 2021, bem acima dos 5,25%, que seria o teto da banda de variação. Para 2022, não custa lembrar que o centro da meta é de 3,50%, mas a pesquisa Focus traz 3,95%, e também já existe quem projete mais de 4%. Mais que isso, dois temas começam a dominar as discussões entre economistas. O primeiro é a volta da dominância fiscal, situação em que, apesar do Banco Central elevar juros, a inflação segue crescendo. E o segundo tema é a possibilidade de um processo de estagflação, um misto de estagnação e inflação, uma das piores figuras da economia.

Convém notar que a Aneel quer aumentar o pagamento da bandeira vermelha nível 2 dos atuais R$ 9,49 por cada 100 quilowatts para até mais de R$ 24, enquanto o governo tenta reduzir isso para algo como R$ 14 e, mesmo assim, podendo agregar mais 1% à inflação. A crise hídrica é séria e não adianta adiar medidas ou contar com a benevolência de São Pedro. Em vez disso, segundo o noticiado pela imprensa, o presidente pede que os ministros evitem notícias ruins até 07/09 (terça-feira), diz que sua agenda para as manifestações é democracia e liberdade, mas não deixa de requentar outras pautas para seus apoiadores, como urnas eletrônicas, vacinas experimentais, sua impossibilidade de governar atribuída aos outros poderes, sempre lembrando os militares e a população armada. Na última semana mesmo, disse que deveríamos comprar fuzis.

No Sete de Setembro, os caminhoneiros vão parar, os supermercados ficarão cheios e o “feijão recomendado pelos idiotas” subirá de preço (assim como outros itens). Além disso, a insegurança institucional aumenta, o povo fica ainda mais oprimido e o país para. E nem abordamos os aumentos de custos na indústria e as tentativas lícitas de repasse ao consumidor final.

Isso também acirra a oposição, e o estresse aumenta ainda mais. Ah, bom! As eleições já começaram, o confronto com governadores está aí e fica cada vez mais difícil aprovar qualquer coisa neste fim de ano. Só para exemplificar, a reforma do Imposto de Renda, que teoricamente seria mais fácil de tramitar, parece estar numa encruzilhada entre votar de qualquer maneira e ver no que dá, deixar caducar ou o governo retirar. Ou seja, já era!

Vamos ter que aguardar mais uma semana para saber o resultado das manifestações e apurar os desdobramentos disso tudo. Mas, certamente, não é bom para o Brasil e sua população sofrida.

Alvaro Bandeira é economista-chefe e sócio do modalmais