Hoje foi dia de a B3 reagir melhor aos estímulos internos e externos, comparativamente a outros mercados acionários do mundo, especialmente da Europa e EUA. Tivemos indicadores importantes sendo anunciados ao longo do dia, declarações aos montes de membros do governo e o bom comportamento dos treasuries americanos, com oscilações mais comedidas. Esses fatores acabaram gerando maior ânimo nos investidores por aqui.

Logo cedo, o BCE (BC europeu) deu declaração que seria precipitado reduzir a compra de ativos no momento, aliás como Christine Lagarde já vinha dizendo. No México, foi anunciado o PIB do primeiro trimestre de 2021 com expansão de 0,8% e na comparação anual com +3,6%.

Logo em seguida, a secretária do Tesouro americano Janet Yellen, em conferência, disse que grande ação de política fiscal seria necessária para lidar com as desigualdades da economia. No Reino Unido o primeiro ministro Boris Johnson também voltou a estar na berlinda por suas ações de combate à pandemia, assim como Bolsonaro.

Nos EUA, Biden voltou a fazer carga contra a China, querendo apuração profunda das origens da covid-19, para instruir ações de cunho sanitário. A China, por sua vez, apertou ainda mais o cerco sobre o que entendem ser um processo especulativo nas commodities, proibindo os bancos de venderem produtos atrelados a commodities para o varejo.

Também tivemos nos EUA a divulgação dos estoques de petróleo na semana anterior encolhendo 1,7 milhão de barris (previsão era -0,9 milhão), de gasolina com -1,74 milhão e com utilização da capacidade subindo para 87%. No mercado internacional o petróleo WTI negociado em NY que vinha em queda mudou de tendência e subia 0,21%, com o barril cotado a US$ 66,21.

O euro era transacionado em queda para 1,219 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros comportada em 1,56%. O tesouro americano fez leilão de títulos de cinco anos e teve demanda acima da média. O ouro e a prata inverteram para quedas na Comex com o dólar mais forte no mercado internacional e commodities agrícolas com comportamento misto na Bolsa de Chicago.

No segmento doméstico o Bacen divulgou superávit em conta corrente (C/C) em abril, de US$ 5,7 bilhões, muito em função da performance da balança comercial, mas acumula déficit no ano de US$ 9,72 bilhões.  O investimento direto no país (IDP) de abril ficou em US$ 3,54 bilhões, e segue perdendo tração. Nossas contas externas seguem melhorando e maio deve trazer boas notícias na recuperação do IDP. Em 12 meses o déficit em C/C está em US$ 12,4 bilhões e o IDP em US$ 41,17 bilhões. Em abril, os investimentos em ações brasileiras foram de US$ 2,01 bilhões e em renda fixa de US$ 1,22 bilhão, enquanto em fundos encolheu US$ 437 milhões. O fluxo cambial até 21/05 estava negativo em US$ 1,12 bilhão e pelo canal financeiro também negativo em US$ 1,33 bilhão.

Já o Tesouro anunciou que a dívida pública federal (DPF) fechou abril com R$ 5,09 trilhões, em queda de 2,92%, com o maior resgate líquido de R$ 167,2 bilhões. A participação dos estrangeiros no total da dívida subiu para 9,75%, vindo de 9,54% no mês anterior.  Também foram anunciados novos limites menores para o PAF (programa de financiamento), o que induz cenário mais benigno, ao mesmo tempo em que alongou o prazo da dívida. Nossa posição cambial líquida estava em abril em US$ 274,5 bilhões.

Tivemos vários dirigentes locais falando em seminário e Paulo Guedes dizendo ser preciso cuidar dos invisíveis e criando dois programas: o BIP (Bônus de inclusão produtiva) e o BIQ (de qualificação). Disse ter recursos nesse ano para fazer, mas precisa arranjar fontes para 2022. O ministro Tarcísio de Freitas também falou em live sobre os projetos de infraestrutura.

Tivemos a divulgação do INCC de maio com alta de 1,80%, acelerando dos 0,95% de abril, e acumulando alta no ano de 6,9% e em 12 meses de 14,6%. Dados do CAGED de abril mostraram a criação de 120,9 mil vagas e em 2021 subindo para 958 mil vagas, com destaque para serviços com 57,6 mil vagas criadas.

No mercado, dia de dólar em queda, e no encerramento com -0,45% e cotado a R$ 5,31. Na B3, na sessão de 24/05, os investidores estrangeiros alocaram recursos no montante de R$172 milhões, deixando o saldo de maio positivo em R$ 8,76 bilhões e ingressos líquidos no ano de R$ 27,9 bilhões.

No mercado acionário, dia de queda na Bolsa de Londres de 0,04%, Paris com +0,02% e Frankfurt com -0,09%. Madri e Milão com quedas de respectivamente 0,20% e 0,43%. No mercado americano, o Dow Jones fechou com +0,03% e Nasdaq com +0,59%. Na B3, dia de alta de 0,81% e índice em 123.984 pontos. Na máxima do dia atingiu 124.255 pontos.

Na agenda de amanhã teremos a confiança da indústria de maio e dados da PNAD contínua do trimestre encerrado em março. Nos EUA, as encomendas de bens duráveis de abril, nova leitura do PIB e dados correlatos, os pedidos de auxílio desemprego da semana anterior, as vendas pendentes de imóveis de abril e o índice de atividade industrial de Kansas de maio.

Boa noite!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais
Fonte: https://www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado