Após absorver quedas pesadas a Bovespa pode tentar alguma recuperação em dia de agenda fraca, mas o viés segue sendo de baixa e busca por proteção dos investidores.

O dia de ontem foi marcado por renovada tensão dos investidores e a Bovespa virou negativa no acumulado do ano em 0,94%, após queda de 1,07% na sessão de ontem e índice encerrando em 117.903 pontos, depois de vazar patamar de 117.000. O dólar registrou leve queda de 0,18% e fechou cotado a R$ 5,27, depois de muita oscilação.

No exterior, os investidores preocupados com a expansão do covid-19, variante delta, desaceleração de indicadores de conjuntura nos EUA e retirada precoce de estímulos por bancos centrais e/ou governos, geraram prudência por parte dos agentes do mercado, situação que já vinha ocorrendo nas últimas sessões. Aqui, crise política e institucional, além da economia, com preocupação de votação da reforma do imposto de renda, que acabou sendo mais uma vez adiada.

Hoje, Bolsas da Ásia terminaram o dia com boas altas e destaque para Xangai com +1,11%, Europa começou o dia em alta, mas já passando para o negativo e mercado futuros dos EUA com quedas. Aqui, a Bovespa conseguiu retomar o patamar de 117.000 pontos do índice no final da sessão e manter zona de suporte em 117.000, mas o próximo suporte está na faixa de 115.000 pontos.

Investidores e gestores aguardam a divulgação da ata da última reunião do FED as 15h de Brasília, em dia de agenda fraca e enquanto o petróleo consegue mostrar alta, depois de quatro pregões de queda.

No Reino Unido, a inflação medida pelo CPI (consumidor) de julho desacelerou para 2,0% na comparação anual e na zona do euro o mesmo indicador acelerou para 2,2%, mas com o mês de julho em -0,10%. Já o presidente Biden conversou com Boris Johnson, do Reino Unido, (que já tinha conversado com Merkel, da Alemanha) sobre o Afeganistão e concluíram por uma reunião do G-7. Já o Talibã, prometeu moderação, mas a fuga em massa do país prossegue.

No mercado internacional, dia de petróleo WTI em recuperação em NY, com alta de 0,65% e barril cotado a US$ 67,02. O euro era transacionado em alta para US$ 1,172 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,27%. O ouro e a prata com altas na Comex e commodities agrícolas com viés de queda na Bolsa de Chicago.

Aqui, a reforma do imposto de renda teve votação novamente adiada com a concordância do governo e, segundo fiscalistas, “já não se paga”, pelas concessões até aqui feitas. Já o Senado indica que pode derrubar a reforma ou mudar vários itens.

A agenda do dia, fraca, terá o fluxo cambial da semana anterior pelo Bacen, e nos EUA, a construção de novas residências e permissões de julho, os estoques de petróleo e derivados da semana anterior (pela API encolheram) e a ata do FED, que pode trazer luzes dos próximos passos.

Expectativa para o dia de Bovespa podendo recuperar, mas depende do noticiário, dólar ainda pressionado e juros também.

Bom dia e bons negócios!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais