Hoje foi dia novamente de mercados positivos em quase todo o ocidente, como havíamos previsto logo cedo, mesmo considerando o feriado de Pentecostes na Alemanha, que quebra um pouco da dinâmica. Como motivação podemos alinhar declarações mais suaves de dirigentes regionais do FED ao longo do dia e petróleo no mercado internacional melhor alinhado (minério não).

Desde o início da manhã tivemos declarações mais tranquilas de membros do FED e outros bancos centrais (Dovish), versando sobre inflação acima de 2% durante algum tempo, porém, bem ancoradas no longo prazo e com ferramentas para atacar eventuais distúrbios. Assim falaram dirigentes como Bullard, do FED de St. Louis, Lael Brainard, executiva do FED, Bostic, de Atlanta, e também Bailey, do banco central inglês (BOE).

Bailey, presidente do BOE, disse que não vai apertar a política monetária sem a evidência de progresso na economia, que terá recuperação acentuada, e depois pode ceder um pouco com a inflação em alta, porém, transitória. Segundo ele, ainda existem incertezas, mas os riscos estão melhor equilibrados. Acrescentou que nas condições de agora não há necessidade de juros negativos.

O FED de NY divulgou relatório sobre o ano de 2020, com o balanço dos ativos atingindo o recorde de US$ 7,4 trilhões, deve crescer até US$ 9 trilhões até 2023 e depois dependerá da política traçada. Muita tranquilidade também para projetar que os juros dos treasuries de 10 anos podem atingir taxa de 2,5% no longo prazo.

Já o presidente Biden diz esperar contraproposta dos Republicanos sobre o pacote de infraestrutura de US$ 1,7 trilhão, até menor do que os Republicanos tinham suposto. O Irã também aceitou prorrogar o monitoramento por câmeras das instalações nucleares, mas ainda assim o petróleo teve forte recuperação no mercado internacional. A China é que interferiu no processo especulativo com commodities e o minério de ferro voltou a cair forte.

No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em NY, mostrava alta de 3,77%, com o barril cotado a US$ 65,98. O euro era transacionado em alta para US$ 1,222 e notes americanos de 10 anos tiveram dia de queda para taxa de juros de 1,59%, voltando para patamar mais normal com as declarações feitas. O ouro e a prata com altas na Comex e commodities agrícolas com comportamento misto na Bolsa de Chicago. O minério de ferro é que teve madrugada de forte queda em Qingdao, na China, com -4,14% e tonelada fechando em US$ 192,42.

No segmento doméstico a pesquisa Focus veio mostrando inflação prevista para o ano em alta para 5,24% (anterior em 5,15%), Selic estável em 5,50%, PIB em alta para 3,52% (vai subir ainda mais até acima de 4%) dólar estável em R$ 5,30 e produção industrial também em 5,50%. O saldo da balança comercial na terceira semana de maio foi de US$ 2,38 bilhões, deixando o acumulado do ano com superávit de US$ 25,2 bilhões.

O Bacen também anunciou diretrizes sobre a moeda digital no Brasil (muitos BCs estudando implantação) em operações online e off-line, previsão de uso para pagamentos no varejo, extensão da moeda física, atendendo recomendações internacional e possibilidade de pagamentos transfronteiras. Ou seja, estamos em linha com o resto do mundo nessa área. Também tivemos o presidente do Bacen, Campos Neto, falando sobre isso e com grande tranquilidade sobre inflação ascendente no curto prazo e estimulada pela percepção do quadro fiscal grave.

No mercado, dia de dólar em queda durante a maior parte do dia (alta só na abertura), para fechar em queda de 0,53% e cotado a R$ 5,32. Na B3, na sessão de 20/05, os investidores estrangeiros voltaram a sacar recursos interrompendo sequência positiva no montante de R$ 477,8 milhões, deixando o saldo positivo de maio em R$ 7,79 bilhões e o ano com ingresso líquido de R$ 27 bilhões.

No mercado acionário, dia de alta da Bolsa de Londres de 0,48%, Paris com +0,35% e Frankfurt sem operação. Madri em leve alta de 0,07% e Milão em queda de 0,34%. No mercado americano, boa alta do Dow Jones de 0,54% e Nasdaq com +1,41%. Na Bovespa, voltamos ao patamar de 124 mil pontos e no fechamento, alta de 1,17% e índice em 124.031 pontos. Destaque para Petrobras e para o segmento de varejo.

Na agenda de amanhã teremos a prévia da inflação oficial de maio pelo IPCA-15 próxima de 0,58%, a confiança do consumidor de maio e o IPC da terceira quadrissemana pela Fipe. Nos EUA, a confiança do consumidor do Conference Board de maio, o índice de atividade de Richmond de maio e as vendas de casas novas de abril, além de preços de imóveis e mais discursos de dirigentes do FED.

Boa noite!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais

Fonte: https://www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado