Se nas duas últimas semanas tivemos uma agenda internacional e local brandas, o mesmo não ocorre nessa semana que está começando. Vamos ter uma agenda carregada de eventos, e com grande capacidade de afetar o comportamento dos mercados de risco de forma mais global e/ou pontual.

Como grandes vetores para os investidores, existe a preocupação com uma segunda onda de contágio e óbitos pela covid-19 em diferentes países, com destaque para os EUA e mais especificamente a Flórida, em contraposição ao otimismo de que medicamentos e o desenvolvimento de vacinas ocorram mais rápido que o previsto, tornando a recuperação econômica mais rápida também, ainda que não seja em formato de “V”. Nos mercados, tudo isso acaba permeado pela enorme liquidez do sistema financeiro internacional e o apetite (ou aversão) ao risco.

Além disso, como vetor também importante, surgem os problemas diplomáticos com pressão dos EUA sobre país (como o Brasil, por exemplo) para restringir negócios com a China preponderantemente com empresas ligadas a área de tecnologia, como Huawei e ZTE. A gigante Huawei está mais avançada em tecnologia 5G, e os EUA pressionam para que negócios não sejam fechados. Melhor exemplo disso foi a imposição do governo americano de não fazer negócios com empresas que usem produtos chineses, além das sanções impostas para dirigentes daquele país. A China também respondeu com sanções contra dirigentes americanos e políticos. Convém lembrar que isso pode afetar as relações comerciais entre os EUA e a China em sua primeira fase e negociações posteriores.

Se fosse só isso, ainda estaria leve. Ocorre que as negociações para o Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia, estão com as negociações emperradas por conta de divergências significativas e a primeira-ministra Angela Merkel tem advertido sistematicamente sobre a possibilidade de não chegarem a algum acordo. Juntem isso com o protecionismo derivado da pandemia, e teremos um quadro diplomático complexo a ser resolvido. Temos que agregar também itens da agenda da semana que vão mexer com os mercados. A semana incorpora itens como o PIB do segundo trimestre na China e a divulgação daquela bateria de indicadores de conjuntura como vendas no varejo, produção industrial, investimentos em ativos urbanos e preços de imóveis. Podemos acrescentar a reunião da OPEP que pode flexibilizar a produção em função do aumento da demanda por óleo, derivada da reabertura das economias. Isso mesmo contando que a Líbia voltou a paralisar suas exportações, mas, de qualquer forma, os preços do óleo mostravam novamente quedas no mercado internacional.

A semana embute também reunião de três importantes bancos centrais com o Japão, Europa e Canadá, além de coletivas de dirigentes importantes. Há que se projetar o que esses bancos centrais ainda vão fazer para flexibilizar a política monetária, ou não. O BCE, por exemplo, pode querer aguardar um pouco mais para novas decisões. Na esteira vamos ter indicadores importantes nos EUA, como a inflação pelo CPI (consumidor) de junho, o índice de atividade industrial de NY e a confiança do consumidor de Michigan, já mais para o final da semana. Tudo isso recheado pela temporada de resultados referentes ao segundo trimestre (notadamente nos EUA), formatando melhor base para projeções de como as empresas atravessarão essa fase adversa.

Em termos de Brasil, claro que sofremos com tudo isso e mais um pouco. Aqui, no âmbito político, teremos discussões e votações importantes como o veto presidencial para extensão até o final de 2021 da desoneração nas folhas de pagamentos de 17 setores da atividade, que consumiam cerca de R$ 7 bilhões/mês. As lideranças discutem isso e o presidente faz concessões aos partidos do centrão para não ficar em “sinuca de bico” e fragilizado. Na semana teremos também a divulgação do indicador IBC-BR de junho, uma prévia do PIB, a ser avaliada pelos investidores. Além disso, todos os desequilíbrios em nossas contas públicas, a equipe econômica terá a missão de endereçar muito bem e ainda contar com o beneplácito dos outros poderes.

Como tudo isso queremos dizer que a volatilidade deve campear solta durante a semana, mas o viés segue sendo, mesmo com tudo isso, de recuperação. Porém, isso agrega riscos no curto prazo, sugerindo que os aplicadores de curto prazo deveriam se proteger com operações em derivativos, até por conta do vencimento de opções que ocorre na próxima semana.

Portanto, muito cuidado com as escolhas e com o nível de risco que deseja assumir no curto prazo. De nossa parte podemos ajudar você com nossa plataforma e com o trabalho de nosso officers. Estamos aqui para orientar!

 

Alvaro Bandeira

Economista-chefe e sócio do banco digital modalmais