Na semana que vai acabando, fomos recorrentes em afirmar mercados complicados por indicadores de conjuntura importantes sendo anunciados, decisão de política monetária pelo FED e Copom, bateria de dados da China, mudanças de regras nas commodities na China, pressão internacional sobre o Irã e China, dificuldades de aprovação do plano de infraestrutura americano e bancos centrais dúbios com relação aos próximos passos da política monetária. Na sessão de hoje, só para complicar um pouco mais tudo isso, ainda tivemos vencimento quadruplo de derivativos no mercado americano e vencimento de opções do prazo junho no segmento local.

Portanto, volatilidade, mudanças de sinais entre e intraday foram uma constante durante todo o período. Notem que não falamos somente do mercado acionário que andou meio de reboque, mas principalmente no câmbio e nos juros. O mercado acionário também sofreu com as commodities com grande volatilidade e citamos o ouro que caiu na semana mais de 6%.

Hoje, logo cedo, o presidente regional do FED de ST. Louis, James Bullard, disse esperar contínua melhora do mercado de trabalho americano, mas citou o avanço da inflação maior que o previsto e que para a inflação ceder seria preciso mudanças na política monetária. Foi ainda mais além ao dizer que o presidente Jerome Powell abriu o debate sobre “tapering”, mas acha que a alta de juros só virá no final de 2022. Mas foi o que bastou para o dólar subir, as Bolsas caírem e juros também em queda.

Mas também tivemos boas notícias do BOJ (BC japonês) acreditando que a alta dos preços nos EUA é temporária, e que se for necessário reduzir juros e comprar mais ativos, estarão prontos. Acrescentou que não discutem e nem consideram vendas de ETFs. O BCE (BC europeu) estendeu alívio de capital para os bancos da zona do euro até março de 2022. A União Europeia suspendeu restrições para viajantes provenientes dos EUA com a queda do covid-19 no país.

No mercado internacional, dia de petróleo WTI em recuperação em NY. O óleo era negociado em alta de 0,80%, com o barril cotado a US$ 71,61. O Euro mantinha queda para US$ 1,187 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,433%. O ouro fechando com leve queda e a prata em alta na Comex e commodities agrícolas mantendo viés de alta na Bolsa de Chicago. O minério de ferro negociado em Qingdao, na China, encerrou durante a madrugada com queda de 0,87% e a tonelada em US$ 218,90.

No segmento local, depois da aprovação ontem no Senado da MP da Eletrobrás, segmentos organizados do setor manifestaram posição contrária por conta dos “Jabutis” impostos no Senado e Câmara e alegando encarecimento da energia nos próximos anos. O mercado reagiu positivamente com alta nas ações da Eletrobrás, mas ainda haverá muita celeuma sobre isso nos próximos meses e judicialização.

Ainda do lado político, o presidente da Câmara pretende votar a MP da Eletrobrás logo na segunda-feira e quer conversar com governo e com o Senado sobre tornar a reforma administrativa mais produtiva e sem mexer em direitos dos servidores antigos. Arthur Lira também disse não ter recebido do governo, dados sobre a reforma tributária, e que isso deve acontecer somente na próxima quarta-feira. Colocou como fundamental não ter aumento da carga fiscal, mas falou e seguir com tributação de dividendos.

Falando de política, a consultoria Eurásia disse ser difícil achar país que sofreu golpe de reputação mais forte que o Brasil na pandemia, que a comunidade global está cansada com o País e projetou 2022 como complicado e podendo cair no populismo.

Na economia, a FGV divulgou a segunda prévia do IGP-M de junho com desaceleração para 1,27% (de anterior em +3,83%), acumulando em 12 meses, elevação de 36,69%. A ANP (agência do petróleo divulgou que a produção de petróleo e gás encolheu 0,5% em maio e a participação do pré-sal caiu para 71,2% (anterior em 72,7%).

No mercado, dia de dólar oscilando muito entre positivo em negativo, para encerrar em +0,92% e cotado a R$ 5,07. Durante o dia chegou a vazar para baixo o patamar de R$ 4,99. Na B3, na sessão de 16/06, os investidores estrangeiros sacaram recursos no montante de R$ 1,41 bilhão, deixando o saldo positivo de junho em R$ 11,28 bilhões e o ano com ingresso líquido de R$ 42,66.

No mercado acionário, dia de queda na Europa, com Londres perdendo 1,90%, Paris com -1,46% e Frankfurt com -1,78%. Madri e Milão com quedas de respectivamente 1,97% e 1,93%. No mercado americano, dia de queda do Dow Jones de -1,57%% e Nasdaq com -0,92%. Na B3, o dia foi de recuperação no meio da tarde, basicamente garantida pelas ações da Vale e anúncio de dividendo bilionário. O índice fechou com +0,27%% e no patamar de 128.405 pontos.

RESUMO DA SEMANA
BOVESPA: -0,80%
DOW JONES: -3,44%
NASDAQ: -0,27%
DÓLAR: -1,01%
PETRÓLEO WTI: +1,35%

Na próxima semana estarei de férias, mas retornamos em seguida.

Bom fim de semana!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais

Fonte: https://www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado