Como previsto, ontem foi dia de mercado morno e maior prudência dos investidores em todo o mundo, aguardando a super quarta-feira com indicadores e decisões importantes com capacidade de mexerem com os mercados. O segmento Bovespa da B3 registrou leve queda de 0,09%, em 130.091 pontos, dólar fechando cotado a R$ 5,04, Dow Jones com queda de 0,27% e Nasdaq com -0,71%.

Hoje, o dia encerrou com quedas nos principais mercados acionários da Ásia, exceto Seul com alta de 0,62%, Europa operando no negativo, mas já passando ao positivo e futuros do mercado americano também caminhando para positivo. Aqui, o Ibovespa está praticamente sem sair do lugar por nove pregões seguidos, lateralizando na faixa de 130.000 pontos e alguma definição pode ser esperada no curto prazo.

Investidores aguardando a bateria de dados da China que foi divulgada durante a madrugada referente ao mês de maio, mas sobretudo a decisão do FED sobre política monetária, o tom do comunicado e a coletiva de Jerome Powell. Tudo a partir das 15 horas. Aqui também teremos a decisão do Copom, com consenso absoluto de alta da Selic de 0,75% (para 4,25%), e uma nesga de surpresa de 1% podendo acontecer.

Na China, durante a madrugada tivemos anúncio da produção industrial de maio anual de +8,8% (igual ao previsto), as vendas no varejo com alta anual de 12,4% (previsão de 13,6%) e investimentos em ativos fixos com alta nos primeiros cinco meses de 15,4%, mas com projeção de +16,6%. As vendas de moradias expandiram nos cinco meses em 56,5%, mas mostrando desaceleração. Isso explica a queda dos mercados na Ásia e, além disso, o governo vai liberar estoques de metais para tentar segurar os preços das commodities.

No Reino Unido, a inflação medida pelo CPI de maio mostrou alta de 0,6%, quando o projetado era 0,5%, a taxa anual subiu para 2,1%, de previsão de 1,9%. Nos EUA ontem, o PPI alto colocou pressão na decisão do FOMC do FED de hoje que deve se mostrar mais duro e com discussões sobre a retirada de estímulos.

No mercado internacional o petróleo WTI, negociado em NY, mostrava alta de 0,18%, com o barril cotado a US$ 72,18. O euro era transacionado em US$ 1,21 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,48%. O ouro e a prata com altas na Comex e commodities agrícolas com viés negativo na Bolsa de Chicago.

Aqui, a MP da Eletrobrás e o risco fiscal estão no radar dos investidores. A MP da Eletrobrás será avaliada no Senado para deliberações, avaliação e supressão de emendas, enquanto o quadro fiscal piora com o anúncio (feito por Bolsonaro) de Bolsa Família reajustado em média para R$ 300, e que segundo a equipe econômica não cabe no teto de gastos. Uma decisão que parece preparar medidas populistas visando eleições.

Os investidores querem avaliar também a postura da Petrobras diante da escalada do barril de petróleo no mercado internacional. A FGV anunciou o IGP-10 de junho com inflação desacelerando para 2,32% (de anterior em 3,24%, acumulando alta em 2021 de 15,31% e no ano com +36,94%. O IPC-S da segunda quadrissemana de junho também arrefeceu para 0,72%, de anterior em 0,81%.

O dia promete alguma volatilidade, dependendo das divulgações ao longo do dia e principalmente a decisão do FED às 15h de Brasília. A expectativa é mais para positiva na Bovespa, dólar ainda fraco e juros em queda.

Bom dia e bons negócios!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais