Já tínhamos preconizado que a semana que chega ao fim seria complicada com a volta dos parlamentares do recesso. Porém, estávamos longe de projetar o esgarçamento institucional que efetivamente ocorreu, protagonizado pelo presidente da república e seus embates com o STF e o TSE. Os mercados assumiram integralmente essa crise institucional, com os investidores tentando agarrar as boas notícias eventualmente surgidas e resultados positivos de empresas líderes do mercado acionário.

Durante toda a semana, Bolsonaro falou muito e com tom ampliado sobre as instituições e, principalmente, sobre Barroso e Alexandre de Moraes, notadamente quando Moraes autorizou a inclusão do presidente nos inquéritos sobre fake news. Tudo isso culminou (até agora) na interrupção do diálogo, depois que o ministro Fux cancelou a reunião de paz entre os três poderes. Ainda assim, o presidente não parou de falar, mesmo depois do presidente do Senado ter colocado panos quentes para acalmar a briga.

O pior é que o Brasil, que tem pressa para crescer e desenvolver, só tem a perder com tudo isso. Hoje, depois de tudo, Bolsonaro em almoço em Joinville, voltou a falar em eleições limpas em 2022 e que somente Deus o tira da cadeira. Além disso, disse que parte do querido STF quer é a volta da corrupção e da impunidade. Enquanto isso, peritos da Polícia Federal defenderam que não há qualquer evidência de fraudes nas urnas, apesar de o presidente acreditar que mostrou provas. Já Rodrigo Pacheco disse que vai buscar soluções harmônicas entre os poderes e o STF deve concordar em buscar o diálogo. Pacheco afiançou eleições limpas em 2022.

Os investidores, que deveriam estar dando atenção aos efeitos da alta dos juros pelo Copom e resultados das empresas, se fixaram em avaliar os possíveis desdobramentos dessa crise institucional, tendo um fim de semana que pode novamente ser complicado e emular a tendência do próximo período.

No exterior, tivemos a divulgação do payroll americano de julho, com a criação de vagas no conjunto da economia (setores público e privado), somando 943.000 postos de trabalho, maior do que a mediana das projeções de 900.000 postos. Também houve queda do desemprego para 5,4%, vindo de 5,9%, com o salário por hora trabalhada em alta de 0,36%. No comparativo anual, o salário evoluiu 3,98%. Ainda por lá, os estoques no atacado de junho mostraram alta de 1,1%.

No mundo, governos e investidores seguem preocupados com a contaminação crescente pela variante Delta da covid-19 e os britânicos lançaram tese que a variante pode ser resistente na contaminação de já vacinados. No mercado internacional, o petróleo teve novo dia de volatilidade, assim como câmbio e juros, impactados pelo noticiário da covid-19.

O petróleo começou o dia em alta de preços, com o WTI, negociado em NY, voltando a ultrapassar a cotação de US$ 70, mas perdeu força ao longo do dia e chegou a cair forte, fechando cotado em US$ 68,56, com queda de 0,77%. O euro era transacionado em queda para US$ 1,17, com dólar fortalecido pelo payroll. O ouro e a prata com boas quedas pelo maior apetite ao risco e dólar mais forte, e commodities agrícolas em alta nas transações da Bolsa de Chicago. O minério de ferro, negociado em Qingdao, na China, também com alta leve de 0,56% e a tonelada em US$ 172,51.

No cenário doméstico, já versamos sobre os problemas na área política e isso só prejudica a aprovação de medidas e reformas tão necessárias. Mas também temos que considerar que existem questionamentos de toda a ordem sobre a reforma do Imposto de Renda, novo refis que a equipe econômica quer vetar tudo que não estava no combinado e vazamento do teto de gastos, onde não existe nenhum consenso. Mas Arthur Lira (Câmara) quer dar sequência nas votações.

No mercado, dia de dólar batendo novamente em R$ 5,27, com muita volatilidade ao sabor do noticiário e encerrando com +0,57% e cotado a R$ 5,24. No segmento Bovespa da B3, na sessão de 04/08, os investidores estrangeiros voltaram a alocar recursos no montante de R$ 157,8 milhões, deixando o saldo positivo desse início de mês em R$ 927,3 milhões e o ano de 2021 com entradas líquidas de R4 40,68 bilhões.

No mercado acionário, dia de alta da Bolsa de Londres de 0,04%, Paris com +0,53% e Frankfurt com +0,11%. Madri e Milão com altas de respectivamente 0,48% e 1,30%. No mercado americano, o Dow Jones e o S&P bateram novos recordes de pontuação. O Dow Jones terminou o dia com +0,41%% e Nasdaq com -0,40%. Na Bovespa, dia de alta de 0,97% e índice em 122.810 pontos, com a máxima em 123.286 pontos.

A próxima semana reserva agenda cheia de indicadores, principalmente a inflação oficial pelo IPCA, boa preocupação para estimação de que o Copom poderá fazer nas três reuniões que ainda restam neste 2021. Além disso, vamos ver como sobrevivemos a esse fim de semana que promete ser conturbado no ambiente político.

RESUMO DA SEMANA

IBOVESPA: +0,82%
DOW JONES: +0,78%
NASDAQ: +1,11%
DÓLAR: +0,27%
PETRÓLEO WTI: -7,83%

Bom fim de semana!

Alvaro Bandeira
Economista-chefe do banco digital modalmais