Começo os comentários lembrando que na última sexta-feira a Bolsa brasileira não operou por conta de feriado em São Paulo, com mercados no exterior com fortes altas e novos recordes nos três principais índices do mercado americano. Portanto, caberia algum ajuste positivo por aqui logo no início do pregão, lembrando que o EWZ, o principal ETF do Brasil no exterior registrou alta de 1,29% naquela data.

Ocorre que hoje os mercados estão começando o dia com quedas, mas as Bolsas asiáticas tiveram madrugada de boas altas, com destaque para Tóquio com +2,25%, repercutindo os recordes de pontuação nos EUA. Europa começando o dia no campo negativo e tentando alguma melhora e futuros do mercado americano com comportamento misto.

Aqui, investidores vão ter que absorver também um final de semana complicado no ambiente político, com o presidente reafirmando declarações sobre a possibilidade de não ter eleições em 2022, xingamentos contra Luiz Roberto Barroso, presidente do TSE e membros do STF, também contra a CPI do covid-19 que avança contra compras suspeitas de vacinas e seus membros. Ao longo do final de semana muitas repercussões dos envolvidos na fala do presidente, presidentes da Câmara e Senado (esse mais duro), líderes partidários, entidades de classe, etc.

Os ajustes no imposto de renda proposto pelo governo também com muitas críticas, inclusive da própria equipe econômica e o governo sinalizando que pode mandar um substitutivo e atribuindo “culpa” a Receita Federal. Na Bovespa, a situação ideal seria buscar 129.000/130.000 pontos do índice e não perder a faixa atual de 125.000 pontos.

No exterior, expectativa com a nova safra de balanços do segundo trimestre de 2021 começando, com alguns bancos divulgando resultados na semana, mas também reverberando o impasse sobre meta de produção de petróleo entre os membros da OPEP+. Nos EUA, a confiança do setor privado no relançamento da economia está no maior nível desde 2014.

No mercado internacional, dia de petróleo WTI, negociado em NY, em queda de 1,49%, com o barril cotado a US$ 73,45. O euro era transacionado em US$ 1,185 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,34%. O ouro e a prata com quedas na Comex e commodities agrícolas com viés de queda na Bolsa de Chicago. Mas o apetite por risco se manifestou forte na última sessão das Bolsas.

O BCE (BC europeu) disse que o risco ao crescimento está equilibrado e projeta que a inflação vai subir mais até o final do ano, mas muitos fatores são transitórios. Aqui, a tensão política deve seguir comando os preços dos ativos de risco e a Fipe anunciou que o IPC da primeira quadrissemana de julho acelerou para 0,86%, vindo de 0,81%.

A agenda do dia no exterior está fraca e aqui teremos a nova pesquisa Focus do Bacen, o saldo da balança comercial da semana anterior e a USDA divulga a projeção de demanda e oferta de produtos agrícolas. Expectativa para o dia com Bovespa podendo ajustar em alta no início do dia (mas depende do fluxo de notícias), dólar ainda forte e juros em alta.

Bom dia e bons negócios.

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais