A marchinha de Carnaval de 1950, cantada por Emilinha Borba, nunca esteve tão atual. A letra segue com “a minha grande mágoa é que lá em casa não tenha, e eu preciso me lavar”. A falta de água de 1950 nos remete à falta de energia possível de 2021, que começa a bater em nossas portas.

Mas o “tomara que chova” fica por conta das manifestações de Sete de Setembro. Sem querer polarizar (já está bastante polarizado), a chuva seria só para afastar pessoas das manifestações e, com isso, evitar confrontos e violência que alguns grupos estão pregando pelas redes sociais, com uma agenda perigosa de ruptura, de certa forma, mantida por pessoas ligadas ao presidente.

O Brasil não precisa disso! O Brasil precisa ser pacificado, com os três poderes atuando de forma consonante para acelerar reformas que nos levariam ao crescimento e desenvolvimento econômico, e não a contestação da divisão dos poderes e medidas de força que promoveriam o atraso nas relações internacionais.

Hoje mesmo (06/09), ex-presidentes e parlamentares de diferentes países, prêmio Nobel da Paz e outros alertam para a insurreição no Brasil com a postura do presidente Bolsonaro. Isso, certamente, não é positivo para atração de investidores, por mais atraente e barato que o Brasil tenha se tornado. Investidores detestam incertezas, e o Brasil não é o único país passível de investimentos novos, fusões e aquisições ou ainda disputa de concessões com retornos de longo prazo, em 30 ou 40 anos.

Basta lembrar o que dissemos acima de um país com estrutura complexa para abrir e manter empresas, assolado por uma pandemia que já ceifou 584 mil vidas, que terá problemas com a crise hídrica, inflação e inflação de custos, e até, quem sabe, com possibilidade de haver racionamento de energia. Com as incertezas presentes, será complicado desenvolver política monetária assertiva e controle de gastos dentro do teto, mais ainda por conta de um processo sucessório já totalmente em curso.

Não é por outra razão que os economistas já discutem publicamente possível dominância fiscal e/ou estagflação. A gastança num país endividado poderia levar à dominância fiscal, e a estagflação é uma figura econômica das piores, quando a economia fica estagnada e com inflação alta. É possível lembrar que as previsões de crescimento para o restante de 2021 e, principalmente para 2022, só fazem crescer nos dias que correm e, para bem da verdade, isso ocorre também na economia global, o que faz piorar ainda mais esse quadro.

Se vamos crescer o PIB de 2021 perto de 5%, teríamos um carregamento da ordem de 1% do PIB para o ano de 2022. Se estamos falando em crescer ao redor de 1,5% em 2022, teríamos uma expansão pífia adicional. Portanto, nada para comemorar, com mais um ano perdido. Tudo isso pode ser bem piorado se o tapering americano e europeu chegarem mais cedo que o previsto, pegando de surpresa os países emergentes, notadamente os endividados e desorganizados.

Portanto, nossa torcida é pela paz entre os poderes e um Sete de Setembro cívico, constitucional, sem excesso de qualquer lado e tendo como único vencedor o Brasil. Vamos torcer por isso e que os deuses (todos) orientem nessa direção. Não é hora de cisões. É hora de união!

 

Tenha um feriado de muita paz!

Alvaro Bandeira é economista-chefe e sócio do modalmais