É nossa percepção que os problemas políticos estão impedindo maior recuperação da Bovespa com câmbio e juros mais comedidos. Os investidores no mundo gostaram da aprovação pela câmara americana do pacote de estímulo fiscal de US$ 1,9 trilhão, mas aqui, os investidores preocupados com a demora em aprovar a PEC Emergencial, e, além disso, com possibilidade de não haver contrapartida em cortes de gastos. Assim, os mercados aqui foram na mesma direção do exterior em recuperação, mas sem mostrar maior tração.

Nos EUA, os investidores seguem preocupados com o comportamento de alta dos juros, mesmo com dirigentes regionais do FED dizendo não ter preocupação sobre isso, entendendo que é fruto da melhor avaliação da economia nos próximos meses. Mas certamente existe a preocupação que as instituições financeiras devam permanecer capitalizadas para suportar eventuais inadimplências no futuro. Lael Brainard do FED, identifica que o covid-19 revelou vulnerabilidade em financiamentos de curto prazo, ao mesmo tempo, Christine Lagarde do BCE, disse que já foram concedidos 730 bilhões de euros em empréstimos para pequenas empresas. Lagarde acredita que o pós-pandemia é oportunidade para refletir sobre medidas macroprudenciais.

O governo americano e o presidente Biden, insistem na necessidade de o Senado aprovar o mais rápido possível o pacote fiscal de US$ 1,9 trilhão, e Biden vai fazer corpo a corpo com seus antigos pares de parlamento, visando acelerar. Nos EUA, tivemos a divulgação do índice PMI da atividade industrial de fevereiro em contração para 58,5 pontos, enquanto o ISM industrial observou alta para 60,5 pontos. Já os investimentos em construção mostraram alta de 1,7% em janeiro, quando o previsto era alta de somente 0,8%.

Na Alemanha, o CPI preliminar de fevereiro mostrou alta de 0,7%, marginalmente acima da previsão. Já o BIS disse que os bancos triplicaram o colchão de provisões para US$161 bilhões. No mercado internacional, o petróleo WTI foi perdendo consistência ao longo de todo o dia, inverteu tendência e passou a cair 1,43%, com o barril cotado a US$ 60,62%. O euro era transacionado em queda para 1,204 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,40%. O ouro em queda e a prata em alta na Comex e commodities agrícolas com viés de queda na Bolsa de Chicago. O minério de ferro em Qingdao teve queda de 0,70%, com a tonelada transacionada em US$ 174,55.

No segmento doméstico, a nova pesquisa semanal Focus do Bacen veio novamente pior com a inflação pelo IPCA de 2021 subindo para 3,87%, de anterior em 3,82%, taxa Selic estável em 4% e PIB de 2021 com alta de 3,29%. A produção industrial em queda para +4,30% e dólar em alta para R$ 5,10. A relação dívida/PIB também subiu para 64,55% em 2021 e em 2022 em 65,65%. O saldo da balança comercial em fevereiro mostrou superávit de US$ 1,15 bilhão, e passou a acumular superávit no ano de US$ 27 milhões. A partir de março, deve melhorar bastante com a safra recorde de grãos. O governo também disse que pretende compensar a retirada do PIS/COFINS de combustível aumentando a carga tributária de bancos com CSLL saindo de 20% para algo como 23%.

No mercado, dia de dólar ainda volátil, mas menos que na semana anterior, quando o Bacen teve que intervir em algumas oportunidades. No fechamento, mostrava queda de 0,09% e cotado a R$ 5,60. Na Bovespa, na sessão de 25/2, os investidores estrangeiros voltaram a sacar recursos de forma forte e no montante de R$ 1,63 bilhão, deixando o saldo negativo do mês de fevereiro em R$ 6,53, mas o ano ainda com ingresso líquido de R$ 17,03 bilhões.

No mercado acionário, a Bolsa de Londres registrou alta de 1,62%, Paris com +1,57% e Frankfurt com +1,64%. Madri e Milão com altas de respectivamente 1,96% e 1,82%. No mercado americano, o Dow Jones com +1,95% e Nasdaq com +3,01%. Na Bovespa, dia de alta de 0,27% e índice em 110.334 pontos.

Na agenda de amanhã teremos o IPC da Fipe fechado de fevereiro e o IPP da indústria de transformação de janeiro. Nos EUA, discursos de dirigentes do FED e durante a noite o PMI composto e de serviços na China.

Boa noite.

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais