O dia foi de recuperação da Bovespa, após ter sido completamente afetada pelo imbróglio da Petrobras arrastando outras empresas com liquidez. Hoje a Petrobras registrou tênue recuperação, após ter caído quase 30% em dois pregões e reduzido cerca de R$ 100 bilhões de seu valor de mercado.

Mas o dia foi também de recuperação do setor bancário e depois da Eletrobras, quando o governo anunciou que vai publicar a MP da privatização da companhia incluindo no PND (Programa Nacional de Desestatização), com estudos produzidos pelo BNDES, incluindo, provavelmente, a Golden Share, e com acionistas acima de 10% de participação fora do aumento. Mas também depois reduziu alta, quando surgiram notícias de que usaria Itaipu para reduzir tarifas. A situação segue tensa, apesar de, no curso do dia, o Ibovespa voltou ao patamar de 115 mil pontos, que tínhamos indicado como oportuno.

No exterior, o dia foi de aguardar o pronunciamento do presidente do FED, Jerome Powell, no senado americano. Powell se disse comprometido com emprego e inflação, destacou que o quartil de menor renda mostra desemprego de 20%, e que essas desigualdades prejudicam a economia. Falou que a inflação continua baixa e chegará na meta de 2%, mas que, no curto prazo, pode subir. Segundo ele, a recuperação está desigual e os juros sobem por expectativa de melhora.

Acrescentou que o PIB pode atingir no semestre o patamar antes da pandemia. O pronunciamento foi positivo, chegou a melhorar o mercado, mas não foi suficiente para firmar tendência.

Ainda nos EUA, a confiança do consumidor do Conference Board subiu para 91,3 pontos em fevereiro, vindo de 88,9 pontos e maior que o previsto. Já Biden diz que na sua visão, o salário mínimo de US$ 15 por hora seria o ideal e segue acreditando na possibilidade de pacote fiscal de US$ 1,9 trilhão. Já o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, disse que o conselho de segurança da ONU precisa agir ante às mudanças climáticas. Ainda no Reino Unido, o desemprego atingiu 5,1% no final de 2020, mas pode subir até 6,5%.

A OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) anunciou que os países do G-20 tiveram desempenho positivo no quarto trimestre de 2020 crescendo 7,2% nas exportações. No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em NY oscilou bastante entre positivo em negativo e operava com alta de 0,50%, com o barril cotado a US$ 62,01. O euro era transacionado praticamente estável em US$ 1,215 e notes de 10 anos com taxa de 1,37%. O ouro e a prata com quedas na Comex e commodities agrícolas majoritariamente com altas na Bolsa de Chicago. O minério de ferro negociado em Qingdao registrou queda de 1,65%, com a tonelada em US$ 173,05.

No segmento local, um projeto do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, autoriza o setor privado a comprar vacinas para imunização. Já o presidente da Câmara, Arthur Lira, espera que PEC emergencial saia com desvinculação da saúde e educação. Na economia, a FGV anunciou o IPC-S da terceira quadrissemana de fevereiro com +0,34%, de anterior em 0,35%. E segundo a FGV, os consumidores esperam inflação de 5,3% em 12 meses a partir de fevereiro.

No mercado, dia de dólar também oscilando muito entre positivo e negativo, para fechar com -0,21% e cotado a R$ 5,442. No mercado acionário, dia de alta da Bolsa de Londres de 0,21%, Paris com +0,22% e Frankfurt com -0,61%. No mercado americano, o Dow Jones com +0,04% e Nasdaq com -0,50%. Na Bovespa, dia de alta de 2,27% e índice em 115.227 pontos com destaque para a valorização de Petrobras com 12,2%.

A agenda de amanhã está lotada de eventos com o INCC de fevereiro, confiança da construção e do consumidor de fevereiro, prévia da inflação oficial pelo IPCA-15, nota do setor externo, relatório da dívida de janeiro e o fluxo cambial da semana anterior. Nos EUA, as vendas de casas novas de janeiro, os estoques de petróleo e derivados da semana anterior e vários discursos de dirigentes do FED.

Boa noite.

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais