A semana que está apenas começando revela-se complicada tanto no plano internacional, quanto no local. Teremos vários itens na agenda de cada cidade, podendo mexer com o comportamento dos mercados de risco em todo o mundo; além de embutir situações que irão influir ao longo dos próximos meses.

A semana começou em 14/09 com a divulgação do índice IBC-BR calculado pelo Bacen, uma espécie de prévia do PIB do mês de julho, que veio aquém da mediana das previsões, mas ainda assim com expansão de 2,15%, em alta pelo terceiro mês consecutivo. O comparativo contra igual período de 2019 mostrou contração de 4,89% e, no ano de 2020, encolheu 5,77%. Isso a despeito do ministro Paulo Guedes ter afirmado que o Brasil foi dos primeiros a mostrar recuperação. Bom, mas a expectativa dos agentes do mercado era de alta de 3,30% em julho.

A semana embute também reuniões de diferentes bancos centrais, começando pelo nosso Copom, onde 100% das expectativas estão na manutenção da Selic estável em 2,00%, mas com investidores interessados em tentar vislumbrar a atuação futura do Bacen e, principalmente, se haverá chance de redução da Selic na reunião seguinte. Acreditamos que isso só ocorreria se houvesse algo saindo do normal.

Teremos ainda reuniões do FED (americano), do BOE (BC inglês) e ainda do BOJ (BC japonês); que na nossa visão não devem trazer novidades em termos de mudanças na política monetária. Na verdade, todos aguardam as respostas das economias diante do esforço feito para mitigar reflexos da pandemia, ao mesmo tempo em que avaliação a conjuntura como incerteza e recuperação desigual das economias, conforme diagnosticou Christine Lagarde, presidente do BCE (BC europeu). Aliás, para a próxima reunião do BCE, há chance de alguma mudança, seja em ampliar os juros negativos de depósito, ou ainda em aumentar a compra semanal de títulos, para ampliar a dinâmica da economia e acelerar a taxa de inflação.

Aqui, além de como emergentes sofrermos os impactos do quadro internacional, principalmente no câmbio onde a dominância das cotações é fraca, ainda ateremos um quadro político complicado pela possibilidade de o Congresso voltar a questionar os vetos do presidente Bolsonaro, notadamente no que tange à desoneração da folha de pagamento, mas também por conta da desaceleração das atividades, em função da aproximação das eleições. De nossa parte e por diversas vezes alertamos que medidas importantes, reforma se outras questões complexas deveriam ser decididas até agosto, pois depois não haveria muito clima, com políticos preocupados em eleições regionais. Pois bem, já estamos na metade de setembro e isso começa a acontecer, somada às eleições dos presidentes das duas casas do Congresso também complicadas.

Há ainda as discussões sobre o Pacto Federativo, no qual a “jabuticaba” do programa Renda Brasil foi inserida, num ambiente onde Estados e Municípios estão em grande pindaíba, o que dificulta negociações. Há também a decisão do ministro Celso de Mello do STF determinando que o presidente Bolsonaro compareça de corpo presente ao inquérito da Polícia Federal, no processo de Sergio Moro e que possa responder perguntas formuladas por Moro.

É nesse ambiente que a semana que prepara o vencimento de opções para o prazo setembro se insere, tendo ainda o ambiente eleitoral americano como plano de fundo, com a diferença de Joe Biden em relação a Trump encurtando para 5% (segundo pesquisa da FOX), o que deve ampliar ruídos e acusações e prepara o primeiro debate tenso dos candidatos, agendado para 29/09.

Como se vê a semana deve ser igualmente tensa e com grande volatilidade nos ativos de risco, o que não sugere exatamente posturas vendedoras, mas pode indicar olhar atento e uso de instrumentos de proteção. Nossos profissionais estão aptos a ajudar nossos amigos investidores nas melhores alternativas para tentar reduzir exposição e maximizar retornos.

Alvaro Bandeira