Bolsonaro tem exatamente uma semana, até 22/04, para decidir o que fazer com o orçamento de 2021, já aprovado pelo Congresso. Mas o presidente está numa encruzilhada. Se aprovar como veio do Congresso, deixa inexequível e ainda pode perder, provavelmente, membros da equipe econômica e ainda ter suas contas rejeitadas. Caso decida vetar partes e cortar emendas, terá que lidar com a ira de muitos parlamentares, dificultando a vida do Executivo. Realmente a decisão não é fácil, tendo como coadjuvante a rejeição de seu governo aumentando. Bom, o Brasil suis generis ainda não tem o orçamento de 2021, mas já anunciou o PLDO de 2022, com bases conservadoras e premissas válidas.

É nesse ambiente inóspito que as sinalizações apontam para quadro fiscal extremamente complicado, com efeitos sobre elevação do endividamento, dificuldades de rolagens de dívidas, juros em ascensão e aumento da pobreza. Hoje, Bolsonaro voltou a afirmar que as forças armadas não medirão esforços para preservar a liberdade da população. Também voltou a criticar governadores, dizendo que a mesquinhez de alguns foi pior que a pandemia. Ocorre que para governar com o povo, a economia tem que mostrar resultados e isso não está sendo possível.

O noticiário do dia também dá conta que o presidente mandou carta para Biden, dizendo que o Brasil deve ser pago por serviços ambientais ao planeta. Esperamos que os termos usados não tenham sido exatamente esses, o que prejudicaria sua imagem externa e do país. Mas é fato que o Parlamento Europeu criticou Bolsonaro por sua atitude diante da pandemia.

Nos EUA, tivemos a divulgação dos pedidos de auxílio-desemprego da semana anterior, com queda de 193 mil posições para total de 576 mil, quando o previsto era que ficasse em 710 mil. Foi o menor patamar em um ano e deve cair ainda mais com o processo vacinal. Lá, as vendas no varejo de março cresceram 9,8%, a previsão era de +6,1% e o índice de atividade industrial de NY subiu para 26,3 pontos (a previsão era de 20 pontos). Demonstrando que a economia está mesmo em franca recuperação.

O FMI quer estimular e fomentar investimentos verdes do setor privado e diz ter recursos para tal. Já o Irã, aumentou as exportações de petróleo, justamente quando é discutido o acordo nuclear com os EUA. O IIF-Institute of International Finance, fala que os gargalos na cadeia de suprimentos podem exacerbar juros em alta dos treasuries.

No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em NY, mostrava alta de 0,30%, com o barril cotado a US$ 63,34. O euro era transacionado em leve queda para US$ 1,193 e notes americanos de 10 anos novamente com juros em queda para 1,542%. O ouro e a prata com altas próximas de 2% e commodities agrícolas com desempenho positivo na Bolsa de Chicago. O minério de ferro negociado em Qingdao, na China, encerrou o dia com alta de 2,81%, com a tonelada em US$ 178,41.

No segmento doméstico, dia de divulgação do volume de serviços do mês de fevereiro, com +3,7%, mas contra igual período de 2020 em queda de 2,05%. No ano, mostra encolhimento de 3,50% e em 12 meses com -8,60%. A receita bruta nominal de fevereiro cresceu 2,8%, mas cai 1,6% sobre igual período de 2020. Reagiu bem à prestação de serviços as famílias com expansão de 8,8%, mas ainda perde 28,1% sobre igual período de 2020. De qualquer forma o desempenho foi melhor que o esperado e voltamos ao nível pré-pandemia, mas estamos 10,8% abaixo do pico de novembro de 2014.

O presidente do Bacen, Campos Neto, participou de conferência e disse que nossa economia é resiliente e que a inflação dos alimentos está rodando acima do padrão. Por aqui, todos querendo intuir qual será a postura do Bacen nos próximos meses, além da alta da Selic já declarada de 0,75%.

No mercado, dia de dólar em queda de 0.75%, sendo cotado a R$ 5,63. Na Bovespa, na sessão de 13/04, mas alocação de recursos produzida pelos investidores estrangeiros. Aplicaram liquidamente R$ 963,1 milhões, deixando o mês de abril positivo em R$ 1,26 bilhão e o ano com ingresso líquido de R$ 14,1 bilhões.

No mercado acionário, dia de alta de 0,63% na Bolsa de Londres, Paris com +0,41% e Frankfurt com +0,30%. Madri e Milão, ao contrário, com quedas de respectivamente 0,17% e 0,19%. No mercado americano, Dow Jones em alta de 0,90% e Nasdaq com +1,31%. Na Bovespa, dia de algumas trocas de sinal e índice fechando com +0,29% e no patamar de 120.648 pontos.

Na agenda de amanhã teremos o IPC-S da segunda quadrissemana de abril. Nos EUA, as construções de novas residências, permissões de março e o índice de confiança de Michigan, na prévia de abril. Ocorre que durante a noite teremos uma bateria de dados de conjuntura da China e o PIB do primeiro trimestre, que vão influir nas aberturas do Ocidente.

Boa noite.