Semana terminando e vamos para o fim de semana, que tem sempre algumas surpresas reservadas, quase sempre negativas em termos de estresse político e institucional. Na segunda-feira, feriado nos EUA do Dia do Trabalho e, na terça-feira, feriado da Independência do Brasil. Bolsonaro não está deixando a agenda morrer, fala para seus apoiadores, mas as pesquisas indicam que o raio de ação está reduzindo.

Pelo noticiário divulgado e declarações de hoje de Bolsonaro, sua tônica discursiva será contra os dois ministros do STJ, Alexandre de Moraes e Luiz Roberto Barroso, considerados seus algozes e de sua família. Outra vertente preferida são os governadores que fecharam a economia e não tiraram o ICMS do botijão de gás; além de todos não deixarem o presidente governar. Nenhuma agenda para o Brasil e nenhuma luta por reformas.

Enquanto isso, segmentos organizados da sociedade produzem manifestos buscando a paz e integração dos poderes, para buscar um consenso de gestão organizada para o país. Precisamos de uma agenda positiva, que quase todos sabem exatamente qual é, e não de críticas às urnas eletrônicas, armar a população ou programas assistencialistas com propósito eleitoral.

No exterior, o dia foi de preocupação com indicadores de atividade PMI de serviços e composto em desaceleração em todos os países, com a expansão da cepa Delta da covid-19 e um payroll (criação de vagas na economia) fraco nos EUA. Concomitante preocupação com inflação em alta e quando começará a retirada de estímulos.

Nos EUA, a divulgação do payroll de agosto trouxe um pouco de decepção, com as vagas criadas em 235.000. Mas a taxa de desemprego encolheu para 5,2% (anterior em 5,4%) e o salário por hora trabalhada com alta de 0,56%. Olhando por dentro e levando em conta os efeitos da variante Delta e o distúrbio na cadeia de produção, até que não foi tão grave. O presidente Biden versou sobre a cepa Delta para justificar, mas investidores voltaram a se proteger. De certa forma, os dados fracos do payroll podem adiar um pouco a retirada de estímulos monetários.

Ainda nos EUA, o PMI composto de agosto encolheu para 55,4 pontos. e o de serviços para 55,1 pontos. O ISM de Chicago de serviços também caiu para 61,7 pontos, vindo de 64,1 pontos. Já o governo e parlamentares discutem o orçamento de US$ 3,5 trilhões, mas há uma situação mais premente, qual seja a elevação do teto da dívida para não paralisar (shutdown) algumas atividades do governo. O prazo termina em 01/10.

Na Turquia, a inflação medida pelo CPI de agosto mostrou taxa anual de 19,24%. No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em NY, começou o dia em alta, perdeu tração e voltou a trabalhar em queda. Perto do fechamento, mostrava queda de 0,94%, com o barril cotado a US$ 69,33. O euro era transacionado em alta para US$ 1,189, e notes americanos de 10 anos com taxa de juros em alta para 1,32%. O ouro e a prata com boas altas na Comex, e commodities agrícolas com comportamento misto na Bolsa de Chicago. O minério de ferro, depois de quatro pregões seguidos de forte queda, teve alguma recuperação em Qingdao, na China, com alta de 1,89% e tonelada em US$ 144,71. Mas isso não garantiu grande recuperação das mineradoras e siderúrgicas.

No segmento doméstico, investidores se precavendo contra os feriados do início da próxima semana e o clima político que pode se acirrar. O presidente do Bacen, Campos Neto, disse que a surpresa de inflação em alta pelo o mundo inteiro, falou que a ampliação do Bolsa Família deveria ficar dentro da responsabilidade fiscal e que a energia é mais um tema de preço e não de racionamento. Mas a sociedade começa a avaliar risco de racionamento e empresas se programam. O secretário especial do Tesouro, Bruno Funchal, falou que o orçamento é realista dentro da legislação vigente e que mesmo com arrecadação crescente temos que controlar gastos. Mostrou otimismo com solução para os precatórios e Auxílio Brasil, falando que isso melhoraria o ambiente econômico.

O PMI composto do Brasil em agosto também desacelerou para 54,6 pontos, vindo de 55,2 pontos. No mercado local, o dólar teve dia de boa estabilidade, para encerrar estável e cotado a R$ 5,18. Na Bovespa, na sessão de 01/09, os investidores estrangeiros alocaram recursos no montante de R$ 780,7 milhões, deixando os ingressos de 2021 positivo em R$ 47,89 bilhões.

No mercado acionário, dia de Bolsas da Europa em queda, com Londres perdendo 0,36%, Paris com -1,08% e Frankfurt com -0,37%. Madri e Milão com quedas de respectivamente 1,31% e 0,64%. No mercado americano, dia de Dow Jones com -0,21% e Nasdaq com +0,21%. Na Bovespa, virada no final para alta de 0,22% e índice em 116.933 pontos.

O início da próxima semana é complicado por conta do feriado americano de segunda-feira, que retira liquidez e afeta a precificação, pelo feriado aqui de terça-feira e, depois, as avaliações que terão de ser feitas sobre as manifestações. De qualquer forma, o mercado anda devendo algum reajuste técnico depois de sucessivas quedas.

RESUMO DA SEMANA

IBOVESPA: -3,10%
DOW JONES: -0,24%
NASDAQ: +1,54%
DÓLAR: -0,13%
PETRÓLEO WTI: +0,74%

Bom fim de semana!

Alvaro Bandeira
Economista-chefe do banco digital modalmais