Ontem, mas para o meio da tarde, o mercado acionário americano mostrou desaceleração e com isso acabou arrastando a Bovespa. Enquanto o dólar se manteve fraco ao longo de todo o dia. A Bovespa terminou com queda de 0,58% e aos 119.371 pontos. O dólar teve queda de 1,73% e fechou cotado a R$ 5,45. Nos EUA, o Dow Jones e Nasdaq encerraram com perdas de 0,94%.

O motivo para tal comportamento residiu na declaração de que o presidente Biden pretende elevar a tributação sobre ganhos de capital para quase o dobro, podendo chegar no limite até 39,6%, sem mexer com assalariados até US$ 400 mil/ano.

Hoje, os mercados da Ásia terminaram o dia majoritariamente com altas, Europa começando no campo negativo e futuros do mercado americano sinalizando que podem recuperar, pelo menos no início da manhã. Aqui, não deveríamos perder a faixa de 118 mil pontos, sob pena de enfraquecer mais e seria positivo ter força para buscar patamar perdido em 121 mil pontos.

No exterior, o Japão deve fazer um novo estado de emergência, poderoso e curto, estendendo até 25/05. Lá, o PMI composto preliminar de abril subiu para 50,2 pontos. O dia também está sendo marcado pelo anúncio de indicadores PMIs em outros países. Na Alemanha, o PMI composto (indústria e serviços) caiu para 56 pontos, o industrial em queda para 66,4 e o de serviços em queda para 50,1 pontos. Já na zona do euro, o PMI composto subiu para 53,7 pontos, industrial em alta para 63,3 e serviços em 50,3 pontos.

No Reino Unido, o PMI composto preliminar de abril subiu para 60,3 pontos, o industrial em alta para 63,3 e serviços em 60,1. Lembramos que indicadores acima de 50 pontos mostram expansão da atividade, enquanto abaixo de 50 pontos identificam contração. Ainda no Reino Unido, as vendas no varejo de março cresceram 5,4%, quando o esperado era alta de 2,5%.

No mercado internacional, dia de petróleo tentando recuperação, com o WTI, negociado em NY, em alta de 0,39% e com o barril cotado a US$ 61,67. Isso é positivo para Petrobras. O euro era transacionado em alta para US$ 1,205 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,54%. O ouro em alta e a prata em queda na Comex e commodities agrícolas com viés de queda na Bolsa de Chicago.

No segmento doméstico, o presidente Bolsonaro sancionou o orçamento de 2021 com vetos parciais, que somaram R$19,8 bilhões e bloqueios adicionais que podem ocorrer de R$ 9 bilhões, que saem por decreto e ainda mais R$ 7,9 bilhões em despesas discricionárias. Todos os ministérios terão cortes e com isso o teto de gastos será cumprido. Isso é positivo para os mercados de risco e pode induzir melhor comportamento.

O STF formou maioria sobre suspeição de Sérgio Moro, mas o ministro Marco Aurélio pediu vistas e adiou decisão. Ontem, na cúpula do clima perdemos boa chance de sairmos vencedores, mas o discurso de Bolsonaro foi dentro do script e considerado bom. Mas recursos só virão quando houver resultados, na prática.

A agenda do dia é fraca e embute discursos de Janet Yellen, do Tesouro americano e Lagarde, do BCE. A expectativa é de Bovespa tentando manter comportamento positivo, dólar e juros fracos, apesar da queda de ontem. A safra de resultados do primeiro trimestre também mexe pontualmente com o preço dos ativos de risco.

Bom dia e bons negócios!

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe do banco digital modalmais