Apesar do tombo da Bolsa no segundo trimestre, reflexo da crise política deflagrada em maio com o envolvimento do presidente Michel Temer (PMDB) em escândalo de corrupção, o mercado financeiro fecha o primeiro semestre de 2017 no positivo. O dólar se firma ao redor de R$ 3,30.

O Ibovespa terminou esta sexta-feira em alta de 1,06%, a 62.899 pontos. No mês, o índice quase não se moveu, e no ano o ganho acumulado é de 4,42%.

A estabilidade na comparação com o mês passado, o estopim da crise, é um retrato da cautela de investidores, que esperam notícias sobre o andamento das reformas propostas por Temer com mais atenção do que as que falam sobre a capacidade do presidente se manter no cargo.

Durante a semana, notícias negativas ofuscaram as consideradas positivas pelos investidores. Temer foi denunciado pela PGR (Procuradoria-Geral da República) e o texto foi aceito pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Houve a aprovação da reforma trabalhista na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, que deverá ir a plenário nas próximas semanas. Não há sinais de que a reforma da Previdência voltará a ser discutida na Câmara tão cedo.

Nesta sexta, o ministro do STF Marco Aurélio Mello autorizou Aécio Neves (PSDB) a recuperar seu mandato de senador, e o presidente em exercício do partido afirmou que isso ajudará na tramitação da agenda reformista no Congresso.

“Apesar do agravamento da crise política com encaminhamento da denúncia para a Câmara que exige resposta do presidente em 10 sessões, a situação não mudou muito. O que realmente preocupa é esse estado de agonia da economia e a desilusão dos brasileiros com o país. Nesse momento quase ninguém sai do imobilismo e arrisca alguma coisa”, diz Alvaro Bandeira, economista-chefe do Modalmais, em relatório de fechamento de mercado.

Fonte: folha.com 30/06/2017