Dólar comercial ficou perto da estabilidade, a R$ 3,172

SÃO PAULO – A valorização do preço das commodities no mercado internacional ajudou a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) a se manter no maior patamar em quase cinco anos. No entanto, os ganhos ao final do pregão foram limitados. O índice Ibovespa fechou com pequena valorização de 0,13%, aos 65.840 pontos, maior pontuação desde março de 2012. Já o dólar comercial terminou os negócios estável, com a moeda americana a R$ 3,172, pequena variação positiva de 0,06%.

Durante todo o pregão, a alta do Ibovespa foi sustentada pelo desempenho das ações da Vale e Petrobras, que sobem forte refletindo a alta do preço das commodities no mercado internacional. No entanto, os papéis da estatal perderam força no final dos negócios.

As commodities sobem e a Bolsa brasileira tem uma forte correlação com esses preços, o que explica essa alta explicou Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora.

Os papéis preferenciais (PNs, sem direito a voto) da Petrobras tiveram alta de 0,31%, cotados a R$ 16,04. Os ordinários (ONs, com direito a voto), no entanto, tiveram recuo de 1,39%, a R$ 17,73. No exterior, o petróleo do tipo Brent tinha leve alta de 0,13%, a US$ 55,30 o barril, próximo ao horário de encerramento dos negócios no Brasil. Nesta terça-feira, investidores anunciaram um processo contra a empresa na Holanda.

O mesmo movimento foi registrado pela Vale, as preferenciais subiram 2,79% e as ordinárias tiveram alta de 2,46%, acompanhando a valorização de 1,92% na tonelada do minério de ferro negociado na China, que chegou a US$ 82,69.

A alta só não foi maior devido ao desempenho do setor bancário, que tem o maior peso na composição do Ibovespa. As preferenciais do Itaú Unibanco e do Bradesco recuaram, respectivamente, 0,23% e 0,37%. No caso do Banco do Brasil, a queda foi de 1,89%. Na segunda-feira, esses papéis subiram forte com os rumores de alterações no compulsório, e parte dessa valorização foi devolvida no atual pregão. Quando o Banco Central (BC) anunciou, cerca de uma hora antes do fechamento da Bolsa, que iria divulgar medidas de simplificação das regras do compulsório, as ações dos bancos privados até esboçaram alguma reação, mas não tiveram força para subir.

Álvaro Bandeira, economista-chefe do Modalmais, lembrou que a alta dos últimos pregões abre espaço para uma realização de lucros, ou seja, quando os investidores vendem ações para embolsar os ganhos recentes.

Internamente, temos espaço para realizações de curto prazo e ficamos na dependência de fluxo de recursos canalizado disse. Até o dia 20 de janeiro, o saldo de investidores estrangeiros na Bolsa era de R$ 1,1 bilhão.

No exterior, os índices americanos operam em alta. O Dow Jones registra variação positiva de 0,63% e o S&P 500 tem leve alta de 0,80%. Já na Europa, o DAX, de Frankfurt, fechou em alta de 0,43% e o FTSE 110, de Londres, ficou estável (-0,01%). Já o CAC 40, da Bolsa de Paris, teve leve alta de 0,18%.

DÓLAR ESTÁVEL

Com a valorização das matérias primas, a tendência é que as moedas de países produtores desses itens, como o Brasil, ganhem força. No entanto, sem fatos novos, os investidores aproveitaram para comprar moeda no final do pregão. Segundo Cleber Alessie, operador de câmbio da corretora H.Commcor, isso está sendo comum toda vez que a moeda se aproxima dos R$ 3,15.

Fonte: O Globo Online de 24/01/2017