RIO – A Bolsa brasileira fechou nesta sexta-feira acima dos 75 mil pontos pela primeira vez na história, encerrar sua oitava semana seguida de alta. Foi a maior sequência de alta semanal em mais de um ano. O índice de referência Ibovespa avançou 1,47% no, aos 75.756 pontos, na contramão dos mercados europeus, que caíram por causa do atentado terrorista em Londres. Em Wall Street, o índice S&P 500 também bateu novo recorde. Na semana, a valorização foi de 3,66%. Prevaleceu, segundo analistas, o cenário mais benigno para a economia doméstica e efeito limitado da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer.

No câmbio, o dólar comercial oscilou ao longo da sessão mas terminou estável, cotado a R$ 3,116 para venda, mesmo com a sinalização do Banco Central de que irá fazer uma rolagem apenas parcial dos contratos de swap cambial (venda de dólares no mercado futuro) que estão para vencer.

Com oferta diária de até 12 mil contratos, excluindo o último dia útil do mês, o BC deve rolar cerca de US$ 6 bilhões, deixando expirar cerca de US$ 4 bilhões do total de contratos que vencem em outubro, segundo dados compilados pela Bloomberg.

– O Brasil está totalmente descolado do mercado externo. A questão é que, apesar dos recordes, a Bolsa ainda está barata em dólar. Comparados com seus pares internacionais, os múltiplos (como relação entre o preço e o lucro das ações) das companhias brasileiras estão muito descontados. Além disso, a denúncia contra o Temer não teve muito impacto, e o Temer não ficou muito balançado – disse Sandro Dias, sócio da assessoria de investimento DNA Invest.

No mercado de commodities, os contratos futuros do minério de ferro fecharam com mais uma forte queda, de mais de 2%. Mas as ações da Vale, após quedas sucessivas, subiram, avançando 0,54%. A maior contribuição positiva do pregão vem dos bancos. O Banco do Brasil tem alta de 1,46%, enquanto o Bradesco avançou 2,13%. O Itaú Unibanco subiu 1,87%. A JBS subiu mais uma vez, avançando 3,03%.

A Petrobras, porém, caiu 0,45% (ON) e ficou estável nos papéis PN.

Continuamos a acreditar que a tendência primária da B3 segue sendo de alta. Claro que assusta a aceleração recente e batimento de recordes sucessivos, principalmente quando colocamos na análise o comportamento da economia e, mais ainda, o ambiente político. Em períodos de recordes, normalmente temos a oferta crescendo, mas junto com ela ocorrem fluxos adicionais de recursos canalizados.

“Continuamos a acreditar que a tendência primária da B3 segue sendo de alta. Claro que assusta a aceleração recente e batimento de recordes sucessivos, principalmente quando colocamos na análise o comportamento da economia e, mais ainda, o ambiente político”, ponderou Alvaro Bandeira, economista-chefe do Home Broker Modalmais, em relatório. “Num ambiente de encolhimento dos juros e com a economia mostrando alguma recuperação recente é justo e mais confortável que os investidores ousem um pouco mais em suas aplicações, na tentativa de obter retornos mais atrativos.”

Fonte: O Globo Online em 15/09/2017