A semana começou com estresse no mercado financeiro e nesta quinta-feira houve novas
quedas fortes nos Estados Unidos. O índice Dow Jones caiu 4,2%, a Nasdaq, 3,9%, e o S&P,
3,8%. No Brasil, o tombo do Ibovespa foi menor, de 1,5%.
Os mercados parecem ter feito uma transição entre um período de muita valorização para outro
de muita volatilidade. Nessas horas, as explicações para tentar entender o que provocou uma
queda diária fazem pouco sentido. O “NYT”, por exemplo, cita uma declaração do Banco Central
da Inglaterra de que poderia subir os juros mais rapidamente. Esse seria um dos motivos
possíveis para justificar a queda dos papéis.
O fato é que as bolsas passaram muito tempo subindo e ignorando riscos. Nos EUA, o
Orçamento não foi aprovado e Trump é um governante que não transmite confiança. Na
Inglaterra, não está claro ainda como acontecerá o Brexit, e, na Alemanha, não há governo
formado. Razões para uma virada de humor nos mercados internacionais, há muitas.
Por outro lado, lembra o economista Alvaro Bandeira, do Home Broker Modalmais, o que
justificaria uma alta mais rápida dos juros nos Estados Unidos e em várias economias é uma
causa boa: pespectivas de mais crescimento na economia mundial. Hoje mesmo o Banco Central
Europeu melhorou as projeções para a Europa neste ano e no próximo.
No Brasil, um período muito prolongado de volatilidade pode acabar afetando a confiança dos
empresários, principalmente os que estão pensando em voltar a investir. No dólar, há dois
confortos: o déficit em conta-corrente está baixo, e o Banco Central tem um volume elevado de
reservas.
O melhor caminho para que o país possa atravessar esse período sem problemas seria a
aprovação das reformas, principalmente a da Previdência. Mas, nesse ponto, até mesmo o
governo admite que as chances são baixas.

08/02/2018 20:36
(Por Míriam Leitão e Alvaro Gribel)
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