A escalada da Bolsa – que só neste ano já acumula alta de quase 12% – fez crescer o interesse pela renda variável. Porém, tanto o risco como a quantidade de papéis disponíveis podem assustar o pequeno investidor. Para quem não tem conhecimento para montar uma carteira de ações diversificada – ou tem pouco capital para isso –, uma alternativa que vem ganhando força são os ETFs, espécie de porta de entrada para esse mercado a um custo acessível.

Fundos ‘espelho’
Bova11 (replica o Ibovespa)

Os ETFs (Exchange Traded Funds, na sigla em inglês) são fundos que replicam índices e têm cotas negociadas em Bolsa. Ao comprar uma cota de um ETF, o investidor terá um retorno quase idêntico ao índice que aquele fundo espelha. Por exemplo: para obter o mesmo retorno do Ibovespa – principal índice de ações da B3 –, em vez de comprar papéis das 61 companhias que hoje compõem o índice, o investidor pode adquirir uma cota do ETF Bova11. Na última sexta-feira, a cota do Bova11 estava em R$ 82,57. O lote mínimo é de dez cotas.

“O princípio do ETF é muito bom, porque permite a entrada em Bolsa com um investimento inicial pequeno, já que, para entrar diretamente, sempre recomendamos alguns lotes de ações para diluir o risco da carteira”, diz Conrado Navarro, especialista da Modalmais.

Além do Bova11, ETF mais negociado, outros destaques são o Brax11, que segue o comportamento do Índice Brasil (IBrx-100) – com os 100 papéis mais negociados na Bolsa – e o PIBB11, que espelha o IBrX-50, com as 50 companhias mais negociadas.

Há ainda fundos que replicam índices com características específicas, como o Divo11, formado por companhias boas pagadoras de dividendos, e o Smal11, que espelha o índice Small Cap, com ações de empresas de menor valor de mercado – que têm mais risco e menos liquidez, porém maior potencial de valorização. Atualmente, há 15 ETFs listados na B3.

O principal custo do ETF é a taxa de administração, que vai de 0,059% a 0,69% ao ano – valor inferior ao cobrado por grande parte dos fundos de ações. Há ainda a taxa de corretagem por ordem, ou seja, pela compra ou venda de cotas – em torno de R$ 10, a depender da corretora – e a cobrança de 15% de Imposto de Renda sobre o rendimento.

Procura. A boa fase da Bolsa fez aumentar a busca por ETFs no ano passado. O patrimônio líquido cresceu mais de 80%, para R$ 6,9 bilhões, e o número de investidores, hoje em 33, 7 mil, avançou 28%. Porém, apenas 6% – cerca de 2 mil – são pessoas físicas. “Ainda falta um pouco de informação. Outro ponto é a comodidade: muitos preferem investir em fundos porque é mais fácil. Já para o ETF, por ser negociado em Bolsa, tem de usar o home broker (programa de computador que conecta o investidor ao pregão eletrônico), o que pode assustar”, diz Navarro. A busca por ganhos maiores, no entanto, tem feito essa situação virar. Na Modalmais, por exemplo, a procura por ETFs dobrou nos últimos três meses.

Navarro aponta que esse produto não substitui o fundo de ações, sobretudo os de gestão ativa, que têm o objetivo de superar o Ibovespa. “Ele é mais vantajoso na comparação com fundos indexados, por exemplo – que também seguem um índice, mas cobram taxas muito mais altas. À medida que o investidor conhece o mercado, pode partir para fundos de estratégias diferenciadas ou até mesmo montar a própria carteira.”

Entre os investidores, porém, fica a dúvida se ainda há espaço para entrar na Bolsa em meio a tão forte valorização. Michael Viriato, professor de finanças do Insper, alerta que é preciso ter cautela. “Se num cenário sem eleição já temos volatilidade, como no ano passado, imagina este ano”, diz. “Além disso, há o perigo de quem está fora tentar surfar numa onda que já passou. É bom esperar uma nova oportunidade.”

Publicado por Anna Carolina Papp, O Estado de São Paulo
29 Janeiro 2018 | 05h00