Economistas lembram que o mercado financeiro ainda preserva uma imensa liquidez monetária das economias desenvolvidas, o que assegura a busca por ativos de risco nos países emergentes

São Paulo – Por mais que a crise política doméstica lance dúvidas sobre o avanço do Produto Interno Bruto local, o crescimento global da ordem de 3,5% ao ano em 2017 e 2018 assegura o valor de ações de commodities no Ibovespa, ainda num ambiente liquidez internacional.

Na última sexta-feira, entre os papéis mais movimentados da B3, Petrobras PN subiu 1,40% para R$ 13,05 e Vale PNA, alta de 1,39% para o preço de R$ 27,80 no encerramento dos negócios.

Na semana passada, a presidente do Federal Reserve (FED), Janet Yellen, voltou fazer comentários interpretados pelos mercados internacionais como de manutenção dos estímulos monetários nos Estados Unidos pelo menos até dezembro próximo, discurso que incentiva a procura por ativos de risco em economias emergentes.

Em meio a esse ambiente considerado positivo por investidores de renda variável, o Ibovespa, cujo volume é principalmente movimentado por estrangeiros avançou 5% de 62.322 pontos para 65.436 mil pontos em cinco pregões seguidos de elevação, e no mesmo período, o dólar comercial (Ptax) caiu 3%, do patamar de R$ 3,2895 em 10 de julho, para R$ 3,1899 na última sexta-feira (14).

“Os Estados Unidos não vão subir os juros agora, só mais para o final do ano, portanto, tem muita liquidez indo para o mercado. Ao mesmo tempo, a economia global continuará crescendo neste e no próximo ano, com impactos [positivos] para commodities como petróleo e minério de ferro”, aponta o economista-chefe da Infinity Asset, Jason Vieira.

Em avaliação semelhante, o economista-chefe da Guide Investimentos, Ignacio Crespo, diz que alta recente da bolsa brasileira também está relacionada ao que acontece no mercado internacional. “Há um quadro mais favorável para ativos de risco”, diz.

O economista-chefe da Modalmais, Alvaro Bandeira, completa, que apesar da futura redução dos programas de flexibilização monetária nas economias desenvolvidas – Estados Unidos, Canadá, Japão e União Europeia – a liquidez continuará elevada. “Quando ocorrer será ruim para os emergentes, mas a liquidez vai continuar no alto por um bom tempo, muito tempo”, ressalta.

DCI Online em 17/07/2017