Demissão assessor especial da Presidência José Yunes

RIO A demissão assessor especial da Presidência José Yunes, citado em delação de exdirigente da Odebrecht, abateu os humores do mercado, que já enfrentava um dia de volatidadade, à espera o pronunciamento da presidente do Banco Central americano, que elevou sua taxa de juros para entre 0,5% e 0,75% ao ano. O dólar interrompeu uma sequência de sete quedas fechou em alta, em linha com o mercado internacional. O avanço foi de 0,21%, a R$ 3,334, após atingir R$ 3,351. Além da tensão em Brasília, contribui para o movimento a elevação dos juros no EUA. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) encerrou os negócios com declínio 1,8%, a 58.212 pontos, pressionada pela queda das commodities.

— A demissão de Yunes pode ter adicionado preocupação sobre novas baixas à frente, em consequência das delações Odebrecht — diz Ignacio Crespo Rey, analista da Guide Investimentos.

Por sua vez, Alison Correia, analista da XP Investimentos, destaca que o dólar sofria depreciação há sete dias — acumulando recuo de 5,3% — e o episódio envolvendo Yunes, que é advogado e faz parte do círculo próximo de Temer, serviu de gatilho para os investidores reverem suas posições, embolsando os ganhos.

— Alguns investidores aproveitaram o susto para realizar lucros após sete dias de queda do dólar. Até por que o próprio presidente Michel Temer é citado varias vezes, e o mercado ignorou isso — comentou Correia.

Para Alvaro Bandeira, economista do Home Broker ModalMais, o impacto da demissão de Yunes é relativo: 

— Só fragiliza mais o governo. O dólar subiu com a expectativa em relação aos juros nos EUA. 15/12/2016 Dólar fecha em alta após demissão de assessor de Temer Jornal O Globo.
Os agentes também estavam focados no comportamento da base aliada ao governo na retomada das discussões sobre a reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, após a aprovação, com placar apertado, da PEC do teto de gastos no Senado.