As incertezas em torno do apoio que o governo terá para conseguir aprovar as reformas trabalhista e da Previdência levaram o dólar a R$ 3,17 nesta quarta-feira (26). A preocupação fiscal também fez com que a Bolsa caísse, interrompendo sequência de três altas.

O dólar comercial encerrou o dia com alta de 0,66%, para R$ 3,173. O dólar vista, que fecha mais cedo, subiu 1,59%, para R$ 3,203. O cenário doméstico voltou a tomar a atenção dos investidores nesta quartafeira, após a derrota que o governo sofreu na noite anterior no projeto que trata do socorro a Estados em situação de insolvência.

O texto previa aumento de 11% para, pelo menos, 14% na contribuição previdenciária dos servidores, com o objetivo de reequilibrar as contas dos Estados em calamidade financeira. Os deputados, no entanto, retiraram essa exigência do projeto.

A derrota gerou dúvidas sobre o apoio que o governo terá para aprovar as reformas, pressionando o dólar. Nesta quarta, a Câmara analisa em plenário as mudanças na legislação. Até o fechamento do mercado, os deputados ainda discutiam o projeto.

Apesar disso, a perspectiva ainda é positiva, na avaliação de Alvaro Bandeira, economista-chefe do home broker Modalmais. “As reformas estão caminhando. Não vai sair a reforma da Previdência que a gente quer, está um pouco descaracterizada, mas vai na direção certa. A trabalhista, também com alguns reparos, vai na direção correta. Então a tendência primária é de alta”, afirma Bandeira.

Nos EUA, o presidente americano, Donald Trump, anunciou as linhas gerais de sua reforma tributária. O texto prevê redução de impostos para empresas e também isenções a pessoas físicas. A falta de detalhamento fez com que o impulso gerado pelas medidas nas Bolsas americanas perdesse fôlego.

Após passar parte do dia levemente no azul, os principais índices mericanos fecharam em baixa. O Dow Jones caiu 0,10%, o S&P 500 recuou 0,05% e o índice da Bolsa de tecnologia Nasdaq encerrou estável. “Os investidores esperavam mais detalhes, para saber que impacto teria no deficit fiscal ou na economia americana. Então ficou meio de molho a história”, diz Bandeira.