Dólar supera R$ 3,31, mas depois recua com declaração de membro do BC americano
Foi o fechamento da cotação do dólar ontem, recuo de 0,88%, após dia de forte oscilação devido à expectativa sobre a elevação dos juros nos EUA -SÃO PAULO- Em meio à forte volatilidade motivada pelas dúvidas sobre um possível aumento iminente da taxa básica de juros nos Estados Unidos, o dólar comercial oscilou ontem entre a mínima de R$ 3,249 e a máxima de R$ 3,312. Depois de abrir em alta, a moeda americana perdeu força com a sinalização de que a probabilidade de uma elevação dos juros ainda em setembro é baixa. A divisa encerrou cotada a R$ 3,249, um recuo de 0,88%. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), com a menor aversão ao risco global, subiu 1,01%, aos 58.586 pontos.

No início da tarde, Lael Brainard, diretora do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de Chicago, avaliou que o cenário de melhora ainda gradual do mercado de trabalho torna menos propício um movimento de aperto monetário. Na avaliação de analistas, as declarações indicam que o comitê de política monetária do Fed (Fomc, na sigla em inglês) não deve elevar os juros na sua próxima reunião, daqui a uma semana. Essa indicação levou investidores a buscarem ativos de maior risco, como ações e moedas de países emergentes.

Essa indicação, sinalizando cautela na acomodação da política monetária, leva a uma percepção de que os integrantes do Fed serão mais cautelosos avaliou Cleber Alessie, operador de câmbio da corretora H.Commcor.

O movimento de enfraquecimento do dólar observado à tarde foi o oposto do que ocorrera pela manhã, ainda refletindo as declarações feitas por Eric Rosengren, do Fed de Boston, na sexta-feira. Ele afirmou que havia, sim, espaço para os juros subirem este mês. Pesaram, ainda, os temores com os testes nucleares na Coreia do Norte e as dúvidas sobre a manutenção do estímulo monetário por parte do Banco Central Europeu (BCE), também na sexta-feira.

Após um início de sessão de forte aversão ao risco, com a expectativa de um aperto monetário nos Estados Unidos já em setembro, os principais ativos de Bolsa e as moedas rivais ao dólar conseguiram se recuperar explicou Ricardo Gomes da Silva Filho, superintendente da Correparti Corretora de Câmbio.

Em relatório a clientes, Alvaro Bandeira, economista-chefe do Modalmais, ressaltou a divisão observada entre os membros do Fed, que têm dado declarações contraditórias. Mas ele observou que o enfraquecimento global do dólar contribuiu para a recuperação dos preços do petróleo no mercado internacional. O barril do tipo Brent subiu 0,65%, a US$ 48,32. PETROBRAS AVANÇA ATÉ 3,41% Com um preço melhor para as commoditities, o Ibovespa, índice de referência da Bolsa brasileira, encerrou em alta, sustentado pelo desempenho dos papéis da Petrobras e da Vale. As ações preferenciais (PN, sem direito a voto) da estatal tiveram alta de 3,25%, cotadas a R$ 13,95, e as ordinárias (ON, com voto) subiram 3,41%, a R$ 16,03. No caso da mineradora, os papéis PN avançaram 2,48%, e os ON tiveram valorização de 3,73%.

Fonte: Jornal O Globo em 13/09/2016