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Quem perdeu a chance de sair antes da Bolsa está com as aplicações no vermelho. A opção agora é definir uma estratégia para deixar o investimento com uma parcela menor de perdas do que a atual. Na maioria dos casos, o caminho envolve assumir, definitivamente, parte dos prejuízos, ou tomar ainda mais risco em nome da possibilidade de reduzir perdas no futuro.

A estratégia e a dose do remédio vão depender do quanto a pessoa precisa do dinheiro deixado na Bolsa e do quanto se sente confortável vendo os recursos dia após dia em território negativo. Isso porque a recessão brasileira deve se aprofundar nos próximos meses e a economia mundial passa por novos percalços decorrentes da desaceleração na China e da derrocada no preço do petróleo.

Para aqueles que deixaram na Bolsa mais do que os 10% a 15% recomendáveis do total de economias de longo prazo, pode ter chegado a hora de se “enquadrar” em um patamar mais palatável de risco. Como? Vendendo o que exceder a isso e aplicando em renda fixa conservadora com juros na casa de 14% ao ano.

Nesse caso, o investidor pode vender imediatamente ou esperar por momentos de recuperação das ações –como o da sexta (12)– até reduzir a fatia da Bolsa a um patamar mais palatável.

Os mais dispostos a flertar com o risco podem comprar mais ações depreciadas –ou esperar cair ainda mais– para diminuir o custo médio dos papéis. O risco é a recuperação jamais ocorrer.

Por exemplo, quem comprou mil ações preferenciais (sem voto) da Petrobras a R$ 10 cada (pagou R$ 10 mil) pode comprar mais mil quando o valor cair para R$ 4 (pagará mais R$ 4.000). Ficará com 20 mil ações ao custo médio de R$ 7. A mudança reduz as perdas de 150% para 43%.

Nessa estratégia do preço médio, o investidor não precisa necessariamente comprar papéis das mesmas empresas. Pode adquirir outros com melhor perspectiva de recuperação, mas que também estejam depreciados, como empresas exportadoras que não sejam da área de commodities, entre outros.

Alvaro Bandeira, da Modalmais

Quem teve estômago para aguentar até agora não deve sair. Também não precisa insistir nas mesmas empresas; pode mudar para aquelas com perspectivas melhores, menos endividadas. E quando a economia reagir, pode aumentar essa posição porque ficará mais fácil recuperar parte das perdas.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo de 15/02/2016