O Fed (banco central americano) está dividido sobre aumentar ou não, num futuro próximo, a taxa básica de juros nos EUA, o que trouxe alívio para a Bolsa brasileira e reduziu a alta da moeda americanaemrelação ao real nesta quarta-feira (17).

A entidade indicou, na ata da sua mais recente reunião, que serão necessários mais dados que mostrem a aceleração da economia americana antes de aumentar novamente as taxas —os juros estão hoje em uma banda de 0,25% a 0,50% ao ano. A divulgação da ata que mostrou divisão entre os integrantes do Fed, no meio da tarde desta quarta, impulsionou os ganhos do Ibovespa (principal índice da Bolsa), que até então estava operando em baixa. A Bolsa brasileira fechouopregãoemalta de 0,80%.

O dólar comercial, que chegou a se valorizar mais de1% frente ao real, reduziu a alta, comganho de 0,50%, cotado a R$ 3,2110. “A ata tirou a possibilidade de umaumento dos juros americanos já em setembro, e os mercados reagiram bem”, afirmou Alvaro Bandeira, economista-chefe da Modalmais. Para investidores, a chance de uma elevação da taxa em setembro é de 18%, similar à de novembro (20%).

Para dezembro, eles consideram que há 50% de chance de aumento dos juros. Bandeira destaca que, no caso do Ibovespa, os negócios também foram afetados pelo vencimento de opções sobre o índice nesta quarta. No encontro, realizado em julho,o Fomc (comitê de política monetária do banco central americano) decidiu manter os juros em uma faixa entre 0,25% e 0,50%. Os juros americano nesse patamar, considerado baixo, têm levadomuitos investidores a preferira postarnos mercados dos países emergentes — caso do Brasil—, que, para compensaroriscomaior, oferecem juros mais altos.

Analistas esperam que, quando os EUA retomarem o processo de subida dos juros, esse dinheiro que está nos emergentes vai se dirigir para os mercados americanos. Uma das consequências desse processo é que o dólar deve ficar menos abundante nesses países. Com isso, a moeda americana deve se valorizar em relação às divisas de nações emergentes.