Investe pra mim?

Pais que desejam colocar investimentos em nome dos filhos não precisam ficar limitados a poupança e previdência; com CPF da criança, as opções são as mesmas dos adultos
TÁSSIA KASTNER

De São Paulo

A dobradinha poupança e previdência é a mais oferecida pelos bancos aos desejam guardar dinheiro para os pequenos, mas essa não é a única opção.

Com o CPF do filho em mãos, é possível ir muito além nos investimentos.

O documento permite abrir, no nome da criança, conta-corrente ou em corretora na maior parte das instituições financeiras. Cria-se assim um leque de opções equivalente as oferecidas a adultos: CDBs, fundos e títulos do tesouro, por exemplo.

Bradesco, Santander e Banco do Brasil cadastram crianças como clientes. O Itaú, abre apenas poupança.

Ao final de 2015, o Bradesco tinha 520 mil Click Contas, modalidade criada para a faixa de zero a 18 anos, 125 mil a mais que em 2014, disse Antonio Gualberto Diniz, diretor de comercialização de produtos e serviços do banco.

No Banco do Brasil, o número de contas em nome de crianças cresce a taxa de 10% ao ano, segundo Edmar Casal atina, diretor de empréstimos e financiamentos do BB. O banco costuma oferecer as eletrônicas (sem taxa) para pais já correntistas.

Mas, para conseguir abrir a conta, é preciso e apostar no diálogo com o gerente.

A Folha foi a algumas agências bancárias em São Paulo. A opção de investir com o CPF em nome dos filhos só foi oferecida depois que gerentes foram questionados diretamente sobre a possibilidade. Antes, planos de previdência e caderneta de poupança foram os únicos produtos sugeridos.

Corretoras, de outro lado, são discretas, mas também cadastram crianças.

“Investir em nome do filho envolve um componente emocional. Quando está separado das demais aplicações, os pais tendem a não mexer”, avalia Daniel Chiavenato Mazza, planejador financeiro certificado pelo IBCPF.

Um dos investimentos recomendados por Mazza é a compra de títulos públicos atrelados à inflação, o que é possível com conta em corretora. O papel recomendado é o Tesouro IPCA+, que remunera pela inflação mais uma taxa de juros e pode ter prazo de vencimento próximo ao objetivo. Se a reserva é para a faculdade, pense em comprar papéis com vencimento em 18 anos, por exemplo.

Para Rodrigo Fuga, sócio da corretora modalmais, a diversificação é a melhor estratégia. Ele sugere papéis de renda fixa e também aplicações em ETF (fundos atrelados a índices acionários e negociados em Bolsa).

Veja na integra em jornal Folha de São Paulo de 04/04/2016