O Comitê de Política Monetária (Copom) chegou a discutir uma redução da taxa Selic para baixo dos 11,25% na última reunião, por considerar que as condições para um corte mais intenso estavam dadas. Mas, por cautela, acabou optando pelo corte de um ponto, como a maioria do mercado previa. Ao revelar esse debate na ata do Copom, divulgada ontem, a autoridade monetária abriu espaço para apostas numa nova aceleração do ritimo de corte de juros – o que já se refletiu numa queda expressiva dos juros futuros e também mudanças em algumas análises de economistas. A dúvida, no entanto, é se as condições necessárias voltarão a estar reunidas em maio. Ou seja, se a janela de oportunidade para um corte mais forte não ficou para trás. Os juros futuros reagiram em queda ontem na BM&F e, no melhor momento do dia, chegaram a considerar chances iguais para cortes de 1 ponto e de 1,25 no próximo encontro. No fechamento da sessão, o placar voltou a ficar mais favorável para a repetição da dose, com cerca de 80% de probabilidade. Entre especialistas, também em ficou consolidada a visão de que um corte mais forte do que o definido em abril, no mínimo, não pode ser descartado.

Para Luis Eduardo Portella, sócio gestor da Modal Asset Management, não há dúvidas de que a ata do Copom colocou na pauta o risco de o BC voltar a acelerar o ritmo de corte de juros. A questão é que, agora, o espaço para cortes maiores tende a diminuir à medida que o juro se aproxime do nível neutro. “ O BC perdeu a oportunidade de ajudar na recuperação da economia, uma vez que os modelos permitiam essa aceleração” afirma Portella, um dos poucos no mercado a trabalhar com a expectativa de um corte mais ousado da Selic em abril, para 11%.

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