Por Alvaro Bandeira

Sócio e Economista Chefe home broker modalmais

No último dia 21 de novembro, o presidente Temer fez sua primeira reunião do chamado Conselhão, envolvendo lideranças do segmento privado, movimentos sindicais, e pessoas da administração pública, um bom perfil de toda a sociedade. O discurso de Temer e seus principais ministros obedeceu ao tom otimista, e Temer ressaltou que cada um dos representantes ali presentes deveriam repercutir para os segmentos da sociedade os temas e discussões ocorridas. Ressaltou que era uma reunião de trabalho e não encontro social.

Dos discursos feitos por integrantes do setor privado, destacamos o do publicitário Nizan Guanaes, pedindo que o presidente aproveitasse seu baixo índice de popularidade e tomasse logo medidas impopulares para levar a economia rapidamente para o rumo correto. O presidente do Grupo Itaú (Roberto Setúbal) foi nessa mesma direção, lembrando que concomitante a outras medidas que o governo estão tentando adotar deveria fazer a reforma trabalhista.

Da reunião havida ficou clara a dicotomia entre a postura dos membros do governo e a do setor privado. Enquanto o primeiro grupo exalava otimismo com a aprovação de reformas e ajustes em curso e respostas já proporcionadas pela economia; o segundo grupo transitava com grande prudência e bem menor nível de otimismo. O presidente quer pacificar o Brasil e harmonizar os três poderes e dizer ser essencial antes de crescer vencer a recessão. Aliás, um de seus assessores (Mansueto de Almeida) lembrou que o Brasil não tem queda do PIB por dois anos seguidos desde a década de 1930.

Ocorre que o presidente e seus ministros pouco conseguiram até aqui em termos de ajustes e cooptação do legislativo para aprovar essas medidas duras requeridas. A PEC dos gastos não produzirá grande efeito no curto prazo, e ela não sobrevive sem que tenhamos aprovada a Reforma da Previdência, essa sim bem mais difícil de passar, já que mexe com o bolso de todos os brasileiros.

Ainda que o clima seja favorável à aprovação (pelo simples fato que não haverá recursos para pagar aposentadorias no futuro), ainda teremos longa estrada a ser percorrida.

Só para ilustrar, o novo secretário de política econômica Fábio Kanczuk em sua primeira intervenção oficial anunciou que reduziu na margem (que margem!) a projeção do PIB 2017 de 1,6% para 1,0%, dentro do que a pesquisa Focus já estava mostrando. Ocorre que as projeções dos agentes do mercado estão piorando ainda mais e já existem projeções de crescimento zero para o PIB. Kanczuk disse não ter mudado a projeção de receitas para 2017, podendo fazer isso no primeiro trimestre.

Mas os agentes já passaram a considerar que isso será quase inevitável e com contingenciamento do orçamento de algo como R$ 50 bilhões, mesmo considerando receitas adicionais da nova repatriação de recursos externos que deve acontecer ainda no primeiro trimestre de 2017.

A situação segue complicada na economia como bem mostra o presidente do Bacen, Ilan Goldfajn, que tem dúvidas se o interregno benigno continua depois da vitória de Donald Trump e possíveis desequilíbrios no juros e câmbio.

Nesse ponto fazemos coro com Nizan: Presidente tome as medidas duras que devem ser tomadas e sem tergiversar. O Brasil do futuro irá agradecer, assim como reconheceu em Itamar Franco o presidente que começou a ajustar o país com o Plano Real.

Vá em frente e terá o apoio de todos!