Anúncio dá fôlego momentâneo a ações da estatal, que passam a cair. Bolsa sobe 0,47%
RIO – O dólar comercial fechou o pregão desta segunda-feira com queda de 0,77%, cotado a R$ 3,198, menor valor desde 8 de novembro. A moeda americana caiu abaixo de R$ 3,20 durante a tarde, aprofundando a depreciação registrada desde o início dos negócios, seguindo o mercado internacional e reforçada pela notícia de uma emissão de bônus da Petrobras para recompra de US$ 2 bilhões em papéis com vencimento em 2019 e 2020. Na mínima do dia, a divisa tocou R$ 3,191. Um fluxo moderado de investimentos estrangeiros também influi na cotação com o retorno dos investidores, a divisa americana já acumula queda de 2,5% neste ano.

A informação sobre a Petrobras ajuda a puxar a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que opera com valorização de 0,47%, a 61.966 pontos, puxada pelo setor de mineração. O anúncio da emissão chegou a tirar momentaneamente as ações da estatal do vermelho, mas os papéis voltaram a recuar, seguindo a queda o petróleo no mercado internacional.

Hoje é um dia de agenda vazia e pouca volatilidade. O dólar chegou a se apreciar, mas a emissão da Petrobras mudou a tendência diz Jaime Ferreira Rocha Junior, diretor de câmbio da corretora Intercam. Como a emissão terá um volume expressivo, trazendo dólares para o país, o dólar é pressionado para baixo.

No front interno, os investidores aguardam a reunião do Comitê de Política Econômica (Copom) do Banco Central, que começa amanhã e termina na quarta-feira, com anúncio da meta para a taxa Selic, referência para juros no Brasil, que deve sofrer corte de, ao menos, 0,5 ponto percentual.

“O consenso de queda da Selic começou a mudar para 0,75 ponto percentual”, diz Alvaro Bandeira, economista-chefe do home broker Modal Mais em seu boletim matinal.

Segundo Leonardo Monoli, sócio-diretor da Jive Asset Management, desde o ano passado havia condições para cortes maiores nos juros. No entanto, ele espera que o Banco Central sinalize esse tipo de movimento antes de realizá-lo de fato:

Algumas casas já veem corte no patamar de 0,75 ponto percentual. Nossa leitura é que o BC corte 0,5 ponto percentual e, eventualmente, comunique uma aceleração no passo de redução para uma próxima reunião. Estamos com projeção de Selic no fim do ano a 10,25%.

Os contratos de juros futuros para janeiro de 2018 tem variação estável nesta segunda-feira, cotados a uma taxa de 11,36%, em linha com o patamar de abertura. Já para janeiro de 2019, os contratos registram queda, a 10,88%, ante cotação de abertura a 10,91%. Para janeiro de 2021, a taxa cai de 11,23% para 11,16%.

Veja íntegra em o Globo Online de 09/01/2017 por