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É claro que existem inúmeras justificativas para tal, mas quase todas já podiam ser intuídas naquela época e foram objetos de muitos artigos e alertas por parte da comunidade pensante. Já era possível intuir que a operação Lava Jato poderia ganhar força com novas adesões ao processo de delação premiada. Já era possível acreditar também num certo mau humor da classe política. Afinal, desde que tomou posse a presidente Dilma e seu núcleo palaciano restrito nitidamente queriam o vice longe das principais decisões e sempre querendo tirar poder do PMDB que eram quem dava respaldo à base de apoio do governo.

Também no caso do ministro Levy era nítida sua figura ímpar, quase que um “estranho no ninho” do governo petista. Por essa época ainda não existia o tal fogo amigo sobre o ministro, já eu ele era o respaldo da credibilidade do segundo mandato para mudar a política econômica. As medidas de mudanças foram sendo propostas e sistematicamente solapadas não só no Congresso Nacional, mas também na própria hoste governamental.

Durante esses 10 meses do segundo mandato muitos erros foram cometidos. Meta de superávit primário foram mudadas (agora deve haver mais uma), disputas entre os parlamentares colocaram “jabutis” nas MPs levadas para votação, houve muita demora em aprovar medidas desidratadas, e o auge parece ter sido quando o governo submeteu ao Congresso o orçamento deficitário de 2016.

Bom, tentou-se mudar isso quase que em seguida. Coube ao ministro Nelson Barbosa anunciar as medidas de corte no governo (parte boa), e ao ministro Levy as más notícias de aumento de impostos, inclusive a CPMF. Depois disso, e com a operação Lava Jato reforçada pela inclusão de políticos, o imbróglio ficou ainda maior. Além de discussões francas sobre o eventual processo de impeachment da presidente, o ministro Levy passou a ser o alvo preferido de todos, com destaque para o ex-presidente Lula (Levy tem prazo de vencimento), o PT na pessoa de seus representantes e dos movimentos sociais.

Pois bem, diante desse clima nada mais natural do que termos perdido o grau de investimento pela S&P, ou sofrer rebaixamento de outras agências de classificação de risco. Nesse ponto surge outra preocupação com relação aos efeitos do dólar e juros nos resultados das empresas do terceiro trimestre que serão anunciados nos próximos dias. Não bastasse a desaceleração da economia e fraca competitividade internacional afetando vendas, as preocupações recaem também sobre os custos financeiros e nível de endividamento prejudicando a solvência e agregando inadimplência.

Como consequência os resultados do trimestres no plano geral devem ser ruins, apesar de muitas empresas terem se ajustado. Ocorre que o impacto da economia de finanças está sendo acima do esperado, o que permite avaliar que as ações caíram bastante, mas não estão necessariamente baratas. Mesmo aquelas empresas que se protegeram via operações de swap em suas dívidas estão pagando bem mais caro para tais operações, além de contarem com dificuldades para renovação de operações.

Resumindo, o comportamento da economia nesse último trimestre de 2015 e os resultados do terceiro e quarto trimestre das empresas serão cruciais para as projeções do futuro e, até, aqui, não são nada favoráveis.