O mercado financeiro não dará trégua ao novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa. Na avaliação de especialistas, não haverá a lua de mel que se observou quando Joaquim Levy assumiu o comando da equipe econômica. “Veremos muita oscilação nos preços dos ativos, com os investidores testando até onde vai o compromisso do governo com o ajuste fiscal”, diz Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos. Para ela, há o temor de retrocesso na condução da política econômica.
Ainda que não projete nenhuma grande arrancada do dólar ou queda mais acentuada da Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa), o economista-chefe da Modalmais, Álvaro Bandeira, afirma que o mercado tende a ter uma segunda-feira nervosa. “Não veremos nada sangrento, mas algumas gotas de sangue vão rolar” afirma. No entender dele, só restará a Barbosa ratificar o que Levy vinha fazendo. “Não há outro caminho. As medidas que devem ser tomadas são as mesmas que vinham sendo propostas. Talvez o jeito seja diferente”, acrescenta.

Dentro do governo, a expectativa é grande em relação à reabertura dos mercados. “Vamos monitorar com lupa. Mas não podemos esquecer que o pior já aconteceu. O país foi rebaixado por duas agências de classificação de risco, os Estados Unidos aumentaram os juros e, mesmo assim, o dólar se mantém abaixo de R$ 4”, diz um auxiliar de Barbosa. “À medida que o discurso do ministro for ficando mais claro, os investidores entenderão que não se voltará à nova matriz econômica, que prevaleceu no primeiro mandato. Haverá, sim, ajustes na política econômica, mas com o objetivo de estabilizar mais rapidamente a atividade e promover a retomada do crescimento”, emenda.