Previsão de queda lenta dos juros no Brasil torna papéis prefixados e vinculados à inflação atraentes
Entrada na Bolsa deve ficar para depois de definição dos rumos da econômica americana, recomendam analistas

TÁSSIA KASTNER EULINA OLIVEIRA

A turbulência que sacudiu o mercado financeiro após a inesperada eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos abriu uma janela de oportunidades para investimentos em renda fixa.

Desde a última quarta-feira (9), a cotação do dólar avançou 7% e a Bolsa recuou quase 8% no Brasil. Os investidores passaram a apostar numa queda mais lenta dos juros do que a prevista em outubro, quando o Banco Central começou a reduzir a Selic, taxa básica de juros da economia.

Antes de movimentar recursos, porém, os poupadores precisam ter cautela para não perder dinheiro num cenário instável e cheio de incertezas, dizem especialistas.

“A pior coisa que o investidor pode fazer é ficar pulando de galho em galho”, afirma o administrador de investimentos Fabio Colombo.

Mas a turbulência também cria oportunidades para quem tiver recursos em caixa. Mesmo com a queda dos juros, as taxas continuam muito altas no Brasil e tendem a permanecer assim por mais tempo se o Banco Central reduzir a Selic devagar.

“Como o panorama ficou mais nebuloso, o pequeno investidor deve fincar pé na renda fixa para se beneficiar da alta taxa de juros”, afirma Alexandre Espírito Santo, da Órama Investimentos.

Títulos do governo com juros prefixados e papéis atrelados à inflação tendem a se valorizar com o novo cenário. “Abre-se uma janela. A trajetória de queda de juros persiste no Brasil”, diz Rodrigo Marcatti, do Banco Fator.

Mesmo se for para aproveitar uma oportunidade passageira, o investidor deve fazer novas aplicações aos poucos, recomenda Rudolf Gschliffner, que chefia a área de private banking do Santander.

Investimentos com taxas prefixadas também oferecem riscos, porque seu valor de mercado oscila diariamente. Investidores que precisarem de dinheiro antes do vencimento dos títulos podem ter prejuízo na hora do resgate.

Antes de contratar produtos financeiros mais arriscados, os especialistas recomendam que os pequenos poupadores assegurem uma reserva de emergência em papéis com juros pós-fixados, em valor suficiente para cobrir pelo menos três meses de suas despesas pessoais.

Já a entrada na Bolsa deve ser adiada. “Não é hora de arriscar. O ideal é esperar passar a turbulência no cenário externo”, diz Alvaro Bandeira, economista-chefe do Modalmais. As coisas devem ficar mais claras quando Trump anunciar suas primeiras medidas econômicas. A posse do novo presidente dos EUA será em 20 de janeiro.