Você já ouviu falar a respeito dos fundos quantitativos/sistemáticos?

Sabe o que fazem e como fazem?
Atualmente a indústria de fundos quantitativos representa 30% da indústria americana de fundos.

Já no Brasil, equivale a aproximadamente 1% da indústria, porém vemos cada vez mais o investidor local procurando saber a respeito e investir nesses tipos de fundos. Com o interesse e a procura pela informação cada vez maior sobre investimentos, vai-se quebrando o medo de investir em fundos quantitativos.

 

Mas afinal, o que são fundos quantitativos?

Fundos quantitativos/sistemáticos são fundos de investimento que operam com algoritmos e programas computacionais. Eles analisam os históricos de mercado para identificar as assimetrias de preços, buscar os padrões de comportamento dos ativos e tomar melhores decisões.

Para elucidar melhor as ideias sobre o tema, vamos antes ir um pouco mais a fundo no assunto, partindo da formatação clássica de um fundo:

Na maior parte das vezes que ouvimos falar a respeito de uma gestora, temos uma ou duas figuras centrais atreladas a ela. Pode ser a figura do tomador de decisão do portfólio ou portfólio manager (gestor), ou as características da forma com que se é feito a gestão de acordo com a volatilidade e os ativos que se opera.

A razão disso é normalmente ligada à uma excelente lógica de raciocínio sobre o mercado desse gestor ou gestora, desenvolvida através de anos e anos observando, estudando, tomando posições e vivendo a dinâmica de cada dia no mercado.

Quando conversamos com tais gestores, os fatores de sucesso ao longo do tempo acabam por ser definidos pelos seguintes itens:

  • A excelente acurácia nas análises;
  •  Processo de investimento bem definido;
  •  Análise do risco e do possível retorno de cada posição a ser tomada;
  •  Execução fiel ao processo definido.

Pois bem, desde sempre o ser humano tenta encontrar padrões em todos os aspectos da vida, do mundo e até do universo. No mercado financeiro não é diferente: finanças e economia sempre buscaram isso e, ao longo do tempo, diversos modelos de (quase) todas as variáveis presentes nessa área foram elaborados.

Tais modelos e formas de raciocínio sempre estiveram presentes na cabeça de absolutamente todos os gestores e agentes de mercado. São utilizados para a precificação de um ativo baseado na sua geração de caixa futura, na direção mais provável dos preços baseando-se neles mesmos, ou ainda nos caminhos do mercado baseados na análise macroeconômica.

Bom, a esse ponto, você pode estar se perguntando: Então, qual a grande diferença entre fundos “tradicionais” e fundos sistemáticos ou quantitativos?

A diferença principal é que um gestor “tradicional” se alimenta de dados e modelos para decidir qual posição vai tomar e como vai tomar essa posição, enquanto os fundos sistemáticos/quantitativos utilizam esses dados para tomar as posições com a mínima interferência possível do gestor.

Existem fundos quantitativos que executam milhares de operações por minutos, ou ainda fundos que utilizam matemática avançada para tomarem posições buscando a melhor relação risco retorno possível.

Porém, existem também fundos sistemáticos que utilizam bases de dados enormes para tomar decisões baseadas em fatores econômicos, ou ainda, fundos que possuem em sua base de dados todos os balanços de empresas da bolsa e seus modelos são seletores das empresas com os melhores fundamentos, aumentando o escopo de atuação de ativos do time de gestão.

Então qual é o papel do gestor em fundos quantitativos? A responsabilidade do gestor é justamente um passo atrás antes da tomada de decisão. É implementar todo o raciocínio lógico de identificar quais os fatores que alteram o direcionamento do mercado e programar os melhores parâmetros a serem seguidos pelo computador, através de modelos de tomadas de decisão e algoritmos. Uma vez que tem suas hipóteses validadas, a equipe cria um modelo com regras bem definidas para compra e venda de ativos.

Assim como o gestor tradicional e sua equipe que acompanham os indicadores do mercado, os algoritmos irão ler informações de preços e da economia para tomar decisão. A diferença aqui é a capacidade de processamento, os algoritmos são capazes de processar milhões de dados do mundo todo de maneira rápida, garantindo decisões mais embasadas.

Outro ponto a destacar é que sempre que entrar numa posição, as métricas de risco são calculadas e os modelos quantitativos tendem a procurar sempre as melhores relações risco / retorno nas operações através de cálculos matemáticos. Ou seja, a disciplina por efetuar o gerenciamento de risco está atrelada ao sucesso dos modelos performarem de forma consistente e eficiente.

Outra importante informação, é que intuitivamente quando se fala em fundos quantitativos, o leitor pode imaginar que se trata de fundos de alto riscos. Não necessariamente. Existem diversos fundos quantitativos com perfis de risco diferentes, desde o conservador com volatilidade baixa e controlada a fundos de alto riscos que buscam altas performances em sua essência, mas sempre com o gerenciamento de riscos como uma de suas métricas.

Um dos benefícios em ter fundos quantitativos em seu portfólio é a descorrelação desses fundos com a indústria tradicional e também conseguirem aproveitar as oportunidades em momentos de alta volatilidade dos mercados como vimos no ano passado.

Diversos fundos quantitativos conseguiram excelentes performances em 2020 justamente por aproveitarem bem o momento de alta volatilidade dos mercados e identificar assimetrias em momentos de crises.

Nos tempos atuais de incertezas, ter fundos quantitativos em seu portfólio pode ser uma excelente estratégia de diversificação de investimentos e mitigação de riscos.

Existem poucos fundos 100% quantitativos no Brasil, mas é um mercado que vem numa crescente demanda e as gestoras de investimentos estão buscando cada vez mais colocar estes produtos em seus portfólios.

Agora vai aqui 10 sugestões de fundos quantitativos de diversos modelos e perfis de riscos diferentes para você que se interessou e não conhece quais os fundos quantitativos do mercado brasileiro:

  • Mauá Capital Machine-D FIM;
  • Seival FGS Agressivo FIM;
  • Giant Sigma FIC de FIM;
  • Giant Axis FIC FIM;
  • NCH Maracanã FIA;
  • Constância Fundamento FIA;
  • Quantitas FIM Galapagos;
  • Quantitas FIC FIM Mallorca;
  • Kadima II FIC FIM;
  • Murano FIC FIM.

Bons investimentos!
Equipe de Análise ModalMais