Começamos com notícias positivas neste mês de fevereiro. O alerta recorrente é sobre a relevância das vacinas para que as incertezas em relação ao cenário se reduzam. Neste sentido, pode-se dizer que houve aumento no ritmo de vacinação no Brasil e o calendário para chegada de novas doses enseja animação. Por outro lado, a passagem das eleições na câmara abre espaço para avanço da agenda de reformas.

O cenário externo trouxe poucas novidades esta semana. Houve maior tranquilidade no mercado após a passagem do episódio relacionado a Game Stop. Ao mesmo tempo, avançam as tratativas para aprovação de estímulo fiscal nos EUA. Vale mencionar somente o dado de Payroll, divulgado hoje (sexta-feira, 05/02) pela manhã. O número decepcionou as expectativas, mostrando criação de vagas bem abaixo do antecipado. O indicador ressalta de forma evidente que a recuperação não será em linha reta, algo potencializado enquanto não tivermos imunização em massa.

Sobre isso, o Brasil mostra desenvolvimento positivo. O levantamento de quinta-feira (04/02) mostra que 1.44% da população foi vacinada (3.043.108 vacinados) a um ritmo de cerca de 200k/dia. Precisamos definitivamente acelerar este ritmo, mas ele já é notadamente maior do que ocorreu na primeira semana de vacinação.

Olhando também pelo lado do fornecimento de vacinas, o risco de desabastecimento já em fevereiro parece minimizado. Mantido o percurso atual, há chance real de que no terceiro trimestre já tenhamos vacinado praticamente toda a população de risco. Os números fechados para o ano, tudo mais constante, sugerem que cerca de 84% da população será vacinada até dezembro. Evidentemente temos um percurso difícil à frente, mas, considerando-se a informação de entrega de vacinas disponíveis, o cenário parece mais alentador do que era projetado há um mês.

No campo político, a vitória dos candidatos apoiados pelo Presidente Jair Bolsonaro na Câmara e no Senado Federal geram um movimento inicial de maior tranquilidade na relação entre as instituições do país. A consequência direta disso foi a sequência de declarações sobre os próximos passos da pauta legislativa. O que monitoramos agora de forma explícita é o avanço do Orçamento e da PEC Emergencial. Consideramos por enquanto que há ruído em torno da Reforma Administrativa e da Reforma Tributária, mas as chances de aprovação parecem bastante remotas.

Paralelamente, a manutenção dos números elevados de contaminação e óbitos da pandemia sugere que a chance de nova rodada de Auxílio Emergencial é elevada. Ante os riscos fiscais evidentes deste movimento, lemos com viés positivo as declarações recentes de várias lideranças de que qualquer extensão ocorrerá dentro do teto de gastos.

Finalmente, a atividade mostra sinais de que o ano de 2020 terminou com mais força do que o antecipado. A leitura da Produção Industrial de dezembro sugere riscos altistas para o final do ano. Em todo caso, a expectativa do primeiro trimestre segue amplamente vinculada a trajetória da pandemia.

Em suma, mantemos a visão de que o cenário político pode dar algum tipo de tranquilidade nas próximas semanas, o que seria positivo para ativos de risco local. No entanto, sempre se recomenda cautela adicional quando o fator fundamental é Brasília.

Por Felipe Sichel, estrategista modalmais