A semana trouxe a finalização do fluxo de informações mais relevante do mês de junho para a projeção da política monetária futura. Complementando a reunião do COPOM da semana passada, tivemos nesta semana a divulgação da Ata do COPOM na terça-feira e do Relatório Trimestral de Inflação na quinta-feira. Ambos os documentos são de extrema valia para entendermos como a autoridade monetária enxerga o futuro próximo e, a partir daí, derivamos também a possível trajetória da taxa SELIC.

A Ata do COPOM surpreendeu pelo seu conteúdo hawkish, ou seja, pela indicação de que o Banco Central está mais preocupado com a dinâmica inflacionária do que o sugerido pelo comunicado emitido na quarta-feira da semana passada.

O parágrafo 15 da ata traz a seguinte afirmação: “o Comitê avaliou uma redução mais tempestiva dos estímulos monetários já nesta reunião”. Nela fica evidente que na própria reunião o Banco Central avaliou a possibilidade de uma elevação da SELIC em 1%, ao invés dos 0,75% efetivamente aplicados.

Racionalmente, a única explicação possível para esta discussão é de que o COPOM enxerga que existe uma possibilidade de o ritmo de elevação atual (75bps por reunião) não ser suficiente para garantir a convergência da inflação à meta no horizonte relevante (2022). Consequentemente, há de se considerar que existe real possibilidade da próxima reunião trazer uma elevação da SELIC em magnitude maior do que as implementadas até agora.

A reação do mercado ao fato foi clara: houve por um lado apreciação do real (consequência de maior perspectiva de carrego), enquanto por outro lado observamos realização na bolsa. De fato, na medida em que segue o ciclo de ajuste monetário, a moeda parece ser o ativo que mais se beneficia de uma SELIC mais elevada.

Por outro lado, o Relatório Trimestral de Inflação trouxe de forma detalhada as projeções do Banco Central para os próximos meses. Nele, vemos que o cenário base da instituição permanece de convergência da inflação ao centro da meta no final do ano que vem com a elevação da SELIC para o patamar de 6,25% este ano (nós projetamos 6,5%). Ao mesmo tempo, o Banco Central está mais animado com a atividade, vendo a chance de crescimento mais elevado do PIB.

De resto, a semana finaliza com a divulgação do IPCA-15 na sexta-feira, que mostrou avanço de 0,83%, ficando praticamente em linha com nossa expectativa (0,82%). O avanço mensal é forte e a composição interna mostra algum grau de preocupação em torno dos preços livres, principalmente nos industriais e serviços subjacentes. Nossa expectativa neste sentido é que a pressão inflacionária perdure no curto prazo e seja potencializada ainda pelo descasamento de oferta e demanda que será ocasionado pelo processo de reabertura.

Ou seja, um cenário bastante complexo se desenha para o Banco Central. Temos um avanço constante da inflação, junto com riscos para as expectativas à frente. Por outro lado, o avanço da vacinação enseja animação em relação às perspectivas para a atividade no final do ano. Tudo mais constante, isto argumenta para mais altas da SELIC, o que justifica nossa projeção da taxa chegar a 6,5% no final deste ano.

Por Felipe Sichel, estrategista modalmais.