Em sua 238ª reunião, o Comitê de Política Monetária (COPOM) elevou a taxa de juros em 0.75% para 3.5%, conforme o esperado.

O comunicado reforça a projeção de uma elevação na mesma magnitude na próxima reunião e altera a parte que qualifica o ajuste da SELIC como parcial. Apesar de mantido, o refraseamento indica mais graus de liberdade da autoridade monetária em torno deste norte.

Ainda assim, o conjunto de expectativas de inflação no horizonte relevante abaixo da meta com SELIC a 5.5%, a perspectiva de que o COPOM já leva em consideração pressões pelo lado dos preços administrados e também as surpresas positivas além de outras alterações no comunicado dão uma impressão marginalmente mais dovish que nossa expectativa.

O COPOM mantém a descrição sobre o cenário externo praticamente inalterado, reforçando a perspectiva de recuperação mais robusta por conta de avanço na vacinação e estímulos fiscais. Destaca-se como antes os riscos para as economias emergentes decorrentes da reprecificação dos riscos inflacionários.

Sobre a atividade, o Banco Central reconhece que os últimos dados mostram um quadro mais dinamismos, apesar da segunda onda também ser mais intensa do que o projetado. No entanto, ressalta também que há incerteza em relação ao cenário prospectivo apesar da retomada dar normalidade.

As projeções no cenário básico, com trajetória FOCUS para juros e câmbio saindo de R$ 5,40 USD, indicam inflação de 2021 em 5,1% (anterior: 5%) e 3,4% em 2022 (anterior: 3.5%). A projeção para preços administrados neste cenário é de 8,4% este ano (anterior: 9.5%) e 5% ano que vem (4.4% anterior).

Nota-se que as expectativas de inflação indicam que, com a trajetória de juros extraída do FOCUS (2021: 5,5%; 2022: 6,25%), a inflação do ano que vem ficaria abaixo da meta, sendo assim uma indicação relevante.

Destaca-se também que o BC segue contemplando pressão inflacionária no curto prazo por conta de administrados, mas a descrição do choque permanece como temporário. Altera-se também a parte da inflação subjacente para descrever que não estão mais acima da meta, mas sim no topo do intervalo compatível com a meta.

Em relação aos riscos, não há alteração significativa a não ser a ponderação sobre “novos prolongamentos das políticas fiscais de resposta à pandemia”.

Chama atenção a manutenção da indicação no último parágrafo sobre um mesmo ajuste da mesma magnitude da taxa SELIC. Por outro lado, nota-se a também um refraseamento da indicação sobre “normalização parcial”. Apesar dela ainda ser vista como o apropriado, parece que há uma suavização no comprometimento do COPOM em relação a ela.

Para a próxima reunião, esperamos elevação da taxa SELIC de 0.75%. Mantemos a projeção de que os juros básicos cheguem a 5% este ano e 6.5% no ano que vem. Aguardamos agora a ata de terça-feira para maiores informações sobre o debate no COPOM.

Por Felipe Sichel, estrategista modalmais.