Macroeconomia

O COPOM elevou a taxa SELIC em 50 pontos base para 13.75%

O COPOM elevou a taxa SELIC em 50 pontos base para 13.75%, conforme o esperado. A leitura do comunicado foi dovish vis-a-vis nossas expectativas.

Na descrição do cenário externo vemos algumas novidades com ênfase a normalização da política monetária acelerada e seu impacto sobre o cenário prospectivo. Em termos de atividade local, o comunicado reforça novamente a perspectiva positiva e ressalta os dados de mercado de trabalho mais fortes do que esperado.

O cenário de referência considera o câmbio a R$/USD 5,30 (anterior R$/USD 4,90) e mantém a referência “amarela” para a bandeira tarifária em dezembro de cada um dos anos mencionados. Com isso, as projeções são:

 Ano referênciaAnteriorAtualDiferença (p.p)
Inflação20228,86,8-2.0
20234,04,60.6
20242,72,70.0
Inflação administrados20227,0-1,3-8.3
20236,38,42.1
20243,33,60.3
Juros final de período202213,2513,750.5
202310,0011,001.0
20247,508,000.5

Vale mencionar que o cenário já contempla o impacto das medidas tributárias aprovadas recentemente, mas dá ênfase a uma janela de seis trimestres à frente e de olho na variação acumulada em doze meses deste período.

O comitê destaca que sua projeção nesta janela é de 3.5%, evidenciando que vê desaceleração da inflação. Merece destaque também que o comitê adiciona um parágrafo inteiro para explicar a utilização da projeção de inflação neste horizonte.

O comunicado traz alterações em relação ao balanço de riscos, discutindo a possibilidade que os estímulos de demanda se tornem permanentes e evidenciando que isto impacta o cenário inflacionário. Por outro lado, adiciona ponderação ao listar o risco de desaceleração da economia global.

O COPOM adiciona 2024 no horizonte relevante. Este movimento é consistente com o que foi feito nos últimos dois anos na mesma reunião. Note-se, no entanto, que de 2017 a 2019 o COPOM ainda considerava somente o ano imediatamente subsequente no horizonte relevante para a quinta reunião de ano.

Finalmente, destaca-se a indicação do comitê para a próxima reunião. Primeiramente, a adição da percepção sobre “cautela adicional” nos próximos movimentos sugere menor intenção do Banco Central em seguir elevando a taxa de juros. Ademais, o COPOM deixa claro que um eventual movimento adicional será de menor magnitude. Ou seja, o parágrafo sobre as intenções futuras é claro ao sinalizar para assimetria de altas residuais.

Dadas as mudanças no comunicado, reforçamos nossa perspectiva de que o ciclo de alta da taxa Selic tenha se encerrado. Isto está em linha com nossa suposição de que o juro ficará estável em 13.75% daqui em diante. No entanto, nossas projeções internas sugerem, que esta taxa ainda é insuficiente para conduzir a inflação em direção à meta no horizonte relevante.

Aguardamos agora a divulgação da ata na próxima terça-feira para mais informações em relação a decisão COPOM.

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