Macroeconomia

O Copom sinaliza o fim do ciclo de juros

Em uma atribulada primeira semana de agosto, com direito a riscos geopolíticos elevados por conta da visita da speaker da Câmara dos Deputados dos EUA, Nancy Pelosi, a Taiwan, o foco na economia doméstica permaneceu em torno da condução da política monetária. O Copom elevou a taxa Selic em 50 pontos base, para 13,75%. No entanto, a leitura do comunicado reforça nossa convicção de que novos movimentos de alta são pouco prováveis com os dados atuais.

Na descrição do cenário externo, vemos algumas novidades com ênfase na normalização da política monetária acelerada e seu impacto sobre o cenário prospectivo. Em termos de atividade local, o comunicado reforça novamente a perspectiva positiva e ressalta os dados de mercado de trabalho mais fortes do que esperado.

Uma das principais novidades fica por conta das projeções de inflação do Banco Central. Nelas, o Copom utiliza as projeções de juros do Boletim Focus e a média do câmbio no período anterior à reunião para mostrar aos agentes econômicos como ele enxerga o movimento da inflação no horizonte relevante.

 Ano referênciaAnteriorAtualDiferença (p.p)
Inflação20228,86,8-2.0
20234,04,60.6
20242,72,70.0
Inflação administrados20227,0-1,3-8.3
20236,38,42.1
20243,33,60.3
Juros final de período202213,2513,750.5
202310,0011,001.0
20247,508,000.5

Esse exercício trouxe uma dificuldade adicional para a projeção de 2023, pois a volta do PIS/Cofins sobre os combustíveis colocará pressão altista na inflação de ano. Assim, o Banco Central optou por explicitar a projeção do primeiro trimestre de 2024 e, assim, demonstrar como, em sua visão, a inflação desacelera fortemente em 2024.

Por isso, destaca-se a indicação do comitê para a próxima reunião. Primeiramente, a adição da percepção sobre “cautela adicional” nos próximos movimentos sugere menor intenção do Banco Central em seguir elevando a taxa de juros. Ademais, o Copom deixa claro que um eventual movimento adicional será de menor magnitude.

Dadas as mudanças no comunicado, reforçamos nossa perspectiva de que o ciclo de alta da taxa Selic tenha se encerrado. Isso está em linha com nossa suposição de que o juro ficará estável em 13,75% daqui em diante. No entanto, nossas projeções internas sugerem que essa taxa ainda é insuficiente para conduzir a inflação em direção à meta no horizonte relevante.

Por Felipe Sichel, economista-chefe do Banco Modal

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