Após uma sequência movimentada em termos econômicos, com divulgação de comunicados dos principais Bancos Centrais no mundo e também no Brasil, a agenda econômica perdeu um pouco de preponderância ao longo desta semana. Assim, em um ambiente de maior espaço, o principal determinante dos mercados ficou por conta das especulações da reforma tributária. No background, os constantes ruídos da CPI também dominaram o noticiário (apesar do menor impacto sobre os mercados).

Sobre a nova fase da Reforma Tributária, apresentada na sexta-feira 25/07, chama atenção a introdução de um imposto sobre dividendos no valor de 20% e a eliminação da isenção do juro sobre capital próprio (JCP).

Entre outros pontos de destaque para o mercado, tem-se a proposta de redução no IRPJ de 25% para 20% até 2023 e a proposta de reestruturação da tributação de fundos de investimento, que passará a ter alíquota fixa de 15%. Por outro lado, a faixa de isenção do IRPF é atualizada. Pela nova regra proposta, ficariam isentos todos com renda mensal até R$ 2.500.

Para além das questões redistributivas, há de se considerar que a proposta provavelmente leva a um aumento da carga tributária para empresas (que vai além meramente do IRPJ). Em termos de teoria econômica, isto resulta em uma queda do crescimento ao longo do tempo.

Temos de lembrar, no entanto, que a proposta de reforma será amplamente discutida pelo Congresso. O próprio presidente da Câmara já indicou que gostaria de reduzir a alíquota sobre dividendos. Enquanto isso, o vice-presidente da Câmara também já manifestou intenção de que a reforma deveria, uma vez concluída, não levar a um aumento da carga tributária agregada da sociedade.

Ou seja, o script segue conforme o planejado: todas as reformas são complexas e uma reforma tributária é especialmente difícil. No limite, tratamos de tirar benefícios bem estabelecidos de um determinado setor e repassá-lo a outros. Ademais, o fato de reformas serem feitas para não serem alteradas por um longo período reforça ainda mais a necessidade dos agentes econômicos se manterem resolutos em suas demandas.

De resto, seguimos otimistas com o processo de vacinação. Estamos imunizando em um ritmo de cerca de 1,1 milhão de doses por dia (em média), o que leva a crer que é crível a nossa projeção de aplicar ao menos a primeira dose em toda a população brasileira acima de 18 anos até o fim de agosto.

Ademais, os indicadores da pandemia finalmente mostram algum tipo de arrefecimento, com queda na média móvel de novos casos e também de óbitos. Acreditamos que o processo de vacinação (que já abarca mais de 35% da população em ao menos uma dose) é fator relevante para explicar essa melhora.

Seguimos monitorando atentamente a evolução da variante Delta na Europa e nos EUA, que se apresenta como o risco mais significativo para a evolução da pandemia no momento. Dito isso, as indicações mais recentes são de que todas as vacinas utilizadas no Brasil são eficazes contra essa variante se o regime total de imunização for implementado. Ou seja, nossa projeção no começo do ano de que a imunização em massa garantiria uma saída segura da pandemia e, consequentemente, permitiria a reabertura da economia parece estar se provando correta.

A próxima semana será encurtada pelo feriado em São Paulo na sexta-feira. Seguiremos atentos aos desenvolvimentos em Brasília e questões relacionadas à pandemia. Fora isso, monitoramos de perto a inflação e novas informações em relação à crise hídrica.

Por Felipe Sichel, estrategista modalmais.