Entramos em um período de considerável redução no fluxo de notícias e de dados, algo que deve se estender até o final da primeira semana de janeiro. Assim, a continuação das tendências anteriores, junto com baixa liquidez de mercado, deve ser a tônica dominante nos mercados.

Comecemos por um alerta tradicional: o COVID-19 segue como o traço dominante do desempenho econômico (além de todas as outras dimensões da pandemia, mas que não fazem parte do objeto deste comentário) no curto prazo. O que vimos no final de semana, com os receios em torno do surgimento de uma nova variante do vírus no Reino Unido e sua consequência sobre o fluxo de pessoas e mercadorias mostra de forma clara que a batalha por “ver o vírus no retrovisor” ainda não está ganha.

A imunização por vacinas vai se ampliando em número de países, mas permanece ainda em patamares baixos. Ademais, há uma defasagem entra a aplicação da vacina e o atingimento da imunidade por quem a recebe. Assim, o cenário para o curto prazo imediato (leia-se, primeiro trimestre de 2021) permanece de atividade deprimida em consequência das incertezas geradas pela pandemia. A partir do segundo trimestre, no entanto, a Europa Ocidental e os EUA já devem começar a colher os dividendos de um programa de imunização amplo.

No Brasil, o destaque da agenda econômica foi a divulgação do IPCA-15 de dezembro. Apesar do número elevado, há de se considerar que a divulgação foi abaixo do esperado. As indicações por dentro do número também foram positivos, dando alento a um cenário que estava crescentemente preocupante. Assim, mantemos a projeção da inflação em 3.3% no final do ano que vem.

Por outro lado, a política em torno da vacina segue como fio condutor dos embates políticos. Fato que é a trajetória das contaminações enseja adoção de restrições por parte dos governos municipais e estaduais (a nosso ver, ainda aquém do necessário). Evidentemente, o avanço rápido de um plano de imunização faz-se mais do que necessário. Como o próprio Ministro da Economia e o Presidente do Banco Central tem dito: vacinação em massa é o caminho mais acelerado para sair da crise.

Ao mesmo tempo, observa-se que o governo permanece envolto em disputas e que há pouca consistência em torno dos cronogramas apresentados. Isto torna-se ainda mais dramático se consideramos que pares nossos na América Latina já devem iniciar a imunização ainda este ano. Finalmente, observamos em nossos monitoramentos de opinião pública que há uma queda consistente da aprovação presidencial que coincide justamente com o momento em que o presidente adota sua postura mais combativa em relação às consequências da pandemia.

Em suma, em uma semana de poucas novidades econômicas, o tema central (COVID-19) do ano voltou a tomar primazia. Ante o menor volume nos mercados e perspectiva de calendário reduzido na semana que vem, sugerimos cautela quanto a alocação de risco. As perspectivas seguem inalteradas (perda de inclinação na curva, fortalecimento marginal do real e avanço da bolsa), mas há chance de correção no curto prazo visto o forte movimento das últimas semanas.

Por Felipe Sichel, estrategista Modalmais.