Tradicionalmente, a semana de dezembro que tem a última reunião do FED no ano é também considerado como o marco para a redução significativa dos indicadores econômicos em direção as festas de final de ano. Neste caso não foi diferente: apesar das notícias relevantes ao longo dos últimos dias, a  expectativa para as próximas duas semanas é efetivamente de mercados mais tranquilos.

No cenário externo, a dualidade entre a velocidade de vacinação e o avanço das contaminações permanece como linha determinante dos mercados e é, para todos os efeitos, a separação entre um curto prazo desafiador e um longo prazo de recuperação.

Nada melhor para reforçar este cenário desafiador do curto prazo como a divulgação das vendas no varejo dos EUA para o mês de novembro. Os dados mostram de forma clara que há desaceleração da economia se comparado ao fortíssimo ritmo de crescimento do terceiro trimestre. Isto se encaixa em nossa perspectiva de que aumento da incerteza gera uma alteração nos gastos dos agentes econômicos, o que tem de se mostrar de alguma forma nos dados.

Já a reunião do FED produziu poucas novidades. O Banco Central é otimista em relação ao longo prazo, mas mantém o tom de alerta para o futuro próximo. Ao mesmo tempo, as projeções mostram o Comitê absolutamente confortável com a manutenção da taxa de juros nos patamares atuais junto aos programas de aumento do balanço.

No Brasil, os destaques econômicos também foram concentrados na autoridade monetária. Tanto a ata da última reunião do COPOM como a apresentação do Relatório Trimestral de Inflação demonstraram que o Banco Central se prepara para retirar o forward guidance de seu conjunto de instrumentos. Posteriormente, a expectativa é de retomada do ciclo de alta da taxa SELIC, o que estimamos acontecer na reunião de junho de 2021.

Já em termos econômicos tivemos poucas novidades, com principal destaque ficando por conta da aprovação da LDO no Congresso Nacional. Como comentado anteriormente, o avanço do processo orçamentário é essencial para garantir a sua execução ao começo do ano que vem. A alternativa seria extremamente danosa para o funcionamento do país ao começo do ano e com certeza causaria elevação desnecessária da volatilidade no mercado.

Finalmente, o noticiário político segue movimentado em torno da sucessão na presidência na Câmara e no Senado. Enquanto Arthur Lira ganha alguns pontos por sair na frente da corrida, Rodrigo Maia ainda não anunciou (até sexta-feira, hora do almoço) o seu candidato. Tudo indica que teremos um longo processo até o começo de fevereiro para definição das mesas diretoras, o que será mais um argumento de atraso para as reformas que são tão essenciais no Brasil.

Em suma, o final do ano traz continuação de tendências já observadas anteriormente: o mundo contribuiu positivamente para o sentimento de risco na medida em que as perspectivas para vacinação e superação da crise do COVID são positivas. Por outro lado, o recesso mantém as reformas em banho maria e nos deixa sujeitos as volatilidades da corrida pela definição da presidência da Câmara. Assim, vemos mantemos perspectiva positiva para bolsa, mas com fluxo estrangeiro sendo principal vetor da melhora dos preços de ativos locais.

Por Felipe Sichel, estrategista modalmais.