O grande destaque da semana foi a notícia, logo em seu começo, de que a vacina desenvolvida pela Pfizer teria um grau de eficácia maior do que o antecipado e exigido para prosseguirem os testes. Ao mesmo tempo, o novo surto de COVID-19 segue se espalhando pela Europa e pelos EUA. No Brasil, seguimos na expectativa da passagem das eleições municipais permitirem o avanço da pauta legislativa.

Na sequência da eleição americana, que tirou um grande peso das costas do mercado e reduziu uma incerteza genuína que era mapeada desde o começo do ano, abrimos esta semana com uma notícia extremamente positiva em relação a uma das vacinas que são candidatas a ajudar a solucionar a crise do COVID-19.

Comentamos de forma incessante este fator ao longo do ano: na medida em que a presente crise tem sua origem na questão da saúde e não no mercado financeiro ou na economia real, a resolução dela passa necessariamente pela resolução do problema de saúde também. Assim, o avanço dos estudos da vacina impõe natural otimismo em relação a recuperação do PIB perdido a nível global ao longo deste ano.

Por outro lado, não podemos afirmar que a simples descoberta da vacina provocará uma retomada imediata dos níveis de atividade perdidos em janeiro/fevereiro. Fato é que a recuperação depende antes de mais nada da recuperação da confiança dos agentes econômicos, o que por sua vez levará a uma retomada dos padrões de investimento e consumo ao longo do tempo.

De qualquer forma, enquanto esperamos por uma resolução do COVID-19, o novo surto (já oficialmente reconhecido como segunda onda) na Europa e nos EUA pesam sobre a atividade local. É inegável que a restrição a circulação de pessoas tem impacto sobre a dinâmica econômica, principalmente no setor de serviços. Apesar das diversas suposições de que esta onda tem uma dinâmica diferente da primeira (fundamentado principalmente na melhora dos protocolos médicos), o argumento estará confirmado somente no momento em que a crise ficar definitivamente para trás.

Enquanto isso, o Brasil traz poucas novidades em termos políticos: o país segue em compasso de espera pela passagem das eleições municipais. Posteriormente há grande expectativa para medir a possibilidade de avanço de pautas relevantes no Congresso e, principalmente, a resolução da questão fiscal e do Auxílio Emergencial. Neste sentido, a indicação do presidente do Senado Davi Alcolumbre de que buscaria extensão do Auxílio para o Amapá tem viés notadamente negativo, visto que abriria precedente para que o mesmo fosse requisitado em outros estados.
Em suma, a semana foi de poucas novidades significativas para alterar nossa visão de alocação. Seguimos preocupados com o avanço do COVID-19 no curto prazo e no efeito binário das discussões sobre fiscal no Brasil. A resolução de um grande entrave para a valorização da bolsa (i.e. a redução da inclinação da curva de juros) está intimamente ligada a resolução das incertezas fiscais.

Por Felipe Sichel, estrategista modalmais.