O FED cortou a taxa de juros de forma extraordinária em 50bps para 1.00-1.25% ontem. Este foi o primeiro movimento de corte extraordinário desde outubro de 2008 e foi justificado por conta das severas alterações no cenário em consequência do coronavirus que a instituição vê como ameaça significativa para a economia americana.

O fato de ser um corte extraordinário definitivamente surpreendeu, mas o mercado segue dando ênfase ao desconhecido tamanho do impacto do surto na atividade e, por isso, voltou rapidamente a precificar mais cortes do FED para o restante do ano. Assim, o que pesará efetivamente até a estabilização do surto são os cenários de cauda.

No entanto, isto não quer dizer que a ação do FED tenha sido inócua. A curva americana ganhou inclinação e as expectativas de inflação do mercado subiram. Na pratica, sabemos que a atuação do banco central é parte necessária para a estabilização dos mercados, mas definitivamente não é suficiente para tanto.

Uma consequência esperada após este movimento do FED é que diversos bancos centrais ao redor do mundo repliquem o movimento (independente da intensidade). Desta forma, o BACEN divulgou nota no final do dia de ontem, reforçando que está atento aos movimentos do mercado e ao impacto do coronavirus. Assim, abriu a porta para nova atuação na reunião de março (após o BC dar o ciclo de corte como interrompido).

A postura mais prudente no momento seria manter a taxa de juros inalterada por mais alguns meses com o objetivo de entender o real impacto do coronavirus sobre a atividade. Devemos mencionar que o corte da taxa de juros americana tem impacto sobre as condições financeiras internacionais e, portanto, atua já como fator de easing para o Brasil. Porém, o BC referendou a precificação do mercado em seu comunicado, sendo muito pouco provável que se retrate no momento. Assim, há elevada chance de corte de 25 ou 50 bps na reunião de março.

Felipe Sichel, estrategista chefe do modalmais